População de rua abrigada no autódromo luta para manter alojamento em 2021

Espaço foi criado para acolher sem-teto durante a pandemia no DF, mas tem encerramento previsto para 3 de janeiro. GDF avalia alternativas

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Hugo Barreto/Metrópoles
Quadro
1 de 1 Quadro - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

O fim das atividades do alojamento provisório montado no Autódromo Internacional de Brasília tem preocupado a população acolhida no local. O ambiente foi criado para abrigar pessoas em situação de rua durante a pandemia do novo coronavírus, mas tem encerramento previsto para 3 de janeiro de 2021, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes). Agora, cerca de 170 moradores temem retornar para as ruas da capital nos primeiros dias do ano, ainda correndo o risco de infecção pela doença.

De acordo com o Instituto Tocar, entidade social que administra o espaço, 1.044 pessoas já foram acolhidas no autódromo desde 7 de abril, quando as atividades tiveram início. O ambiente recebe homens de 18 a 58 anos. “Mas, se tiver algum caso urgente de alguém com mais idade, a gente acolhe também”, explica o chefe de plantão do instituto, Ricardo Ribeiro da Silva.

No local, estão dispostas quatro camas em cada um dos 50 contêineres, abrigando 200 pessoas. Além de um lugar para dormir, os moradores têm direito a seis refeições diárias, espaço de jogos, ambiente de leitura, e ainda área de atendimento psicossocial.

“Esse trabalho é muito importante. A gente tem essa conversa desde o início para que esse projeto se estenda, porque eles têm essa necessidade de ter um lugar fixo, não só provisório”, ressalta Ricardo.
Falta de emprego

Carlos Lima, 44 anos, foi um dos primeiros acolhidos no alojamento. Natural de Itaituba, no Pará, ele veio para Brasília em agosto de 2019 para tentar melhores oportunidades de vida. Contudo, a dificuldade em encontrar emprego foi  maior do que ele esperava.

“Passei 15 dias em um albergue, depois fui morar na rua. Agora, estou aqui desde maio”, conta. “Esse é um espaço muito bom para a gente. Na rua, ficamos vulneráveis nessa pandemia. Aqui, eu tomo banho, tenho dentista, consegui um óculos. Coisas que em outros lugares, eu não tinha”, completa.

Assim como ele, Vanderley Militão, 42, mudou-se para a capital do país em busca de emprego. “Saí de Uberlândia (MG) em 2010, e consegui alguns empregos temporários. Já fui caseiro, jardineiro. Tudo que aparecia eu fazia. Mas, nesse ano, todas as oportunidades travaram por conta da pandemia e acabei tendo que ir para a rua”, lamenta.

Desde julho, ele está abrigado no autódromo e tenta se capacitar para retornar ao mercado de trabalho quando sair do local. “Eu me inscrevi em dois cursos que vão ter aqui. Quero fazer aula de barbeiro e de vigilância eletrônica”, comenta. “O problema é que, com essa crise, o desemprego cresceu muito e vai ser difícil sair e conseguir trabalho.”

Com medo de voltar para a rua durante a pandemia, então, Vanderley luta junto aos outros acolhidos para que o alojamento seja mantido no início do próximo ano. “Os números da Covid estão começando a aumentar de novo e passar o começo de ano na rua ninguém merece. Dormir pensando que amanhã não teremos mais para onde ir é muito doloroso, a gente fica apavorado”, desabafa.

População de rua abrigada no autódromo luta para manter alojamento em 2021 - destaque galeria
9 imagens
Ele está abrigado desde maio no alojamento
Vanderley Militão
Ele está no local desde julho
População de rua abrigada no autódromo luta para manter alojamento em 2021 - imagem 5
Alojamento no autódromo tem cerca de 170 acolhidos
Carlos Lima, um dos primeiros acolhidos
1 de 9

Carlos Lima, um dos primeiros acolhidos

Hugo Barreto/Metrópoles
Ele está abrigado desde maio no alojamento
2 de 9

Ele está abrigado desde maio no alojamento

Hugo Barreto/Metrópoles
Vanderley Militão
3 de 9

Vanderley Militão

Hugo Barreto/Metrópoles
Ele está no local desde julho
4 de 9

Ele está no local desde julho

Hugo Barreto/Metrópoles
População de rua abrigada no autódromo luta para manter alojamento em 2021 - imagem 5
5 de 9

Hugo Barreto/Metrópoles
Alojamento no autódromo tem cerca de 170 acolhidos
6 de 9

Alojamento no autódromo tem cerca de 170 acolhidos

Hugo Barreto/Metrópoles
Local possui espaço para leitura
7 de 9

Local possui espaço para leitura

Hugo Barreto/Metrópoles
Também há uma lavanderia
8 de 9

Também há uma lavanderia

Hugo Barreto/Metrópoles
Moradores podem fazer trabalho de artesanato
9 de 9

Moradores podem fazer trabalho de artesanato

Hugo Barreto/Metrópoles
Assistência

Entre as oportunidades que os moradores têm no abrigo, o jovem Jailton da Silva, de 27 anos, destaca a assistência médica. Ele quebrou a perna há cerca de três semanas e, no mesmo período, conseguiu acolhimento no autódromo. Hoje, ele se diz grato pelo apoio que recebe no local.

“Eles me levam no hospital, me deram a cadeira de rodas para eu usar enquanto isso […] Na rua estamos no meio da violência e aqui vejo que portas podem abrir para a agente”, pontua.

Também há menos de um mês no alojamento, Severino Ferreira da Silva, 52, reforça a visão do colega. “Eles não podem desfazer esse lugar. Aqui somos bem tratados, temos conforto, fazemos os cursos. É uma oportunidade que jamais teríamos na rua”, acrescenta.

Tendo experiência como pedreiro, Severino agora aproveita o pouco tempo que ainda tem no alojamento para entregar currículos. “Eu tirei a carteira de trabalho com apoio do instituto. Meu sonho agora é conseguir um emprego para não voltar para a rua”, diz.

População de rua abrigada no autódromo luta para manter alojamento em 2021 - destaque galeria
9 imagens
População de rua abrigada no autódromo luta para manter alojamento em 2021 - imagem 2
População de rua abrigada no autódromo luta para manter alojamento em 2021 - imagem 3
Severino Ferreira da Silva
População de rua abrigada no autódromo luta para manter alojamento em 2021 - imagem 5
São 50 contêineres com quatro camas em cada
Jailton da Silva
1 de 9

Jailton da Silva

Hugo Barreto/Metrópoles
População de rua abrigada no autódromo luta para manter alojamento em 2021 - imagem 2
2 de 9

Hugo Barreto/Metrópoles
População de rua abrigada no autódromo luta para manter alojamento em 2021 - imagem 3
3 de 9

Hugo Barreto/Metrópoles
Severino Ferreira da Silva
4 de 9

Severino Ferreira da Silva

Hugo Barreto/Metrópoles
População de rua abrigada no autódromo luta para manter alojamento em 2021 - imagem 5
5 de 9

São 50 contêineres com quatro camas em cada
6 de 9

São 50 contêineres com quatro camas em cada

Hugo Barreto/Metrópoles
População de rua abrigada no autódromo luta para manter alojamento em 2021 - imagem 7
7 de 9

Hugo Barreto/Metrópoles
População de rua abrigada no autódromo luta para manter alojamento em 2021 - imagem 8
8 de 9

Hugo Barreto/Metrópoles
Moradores pedem que abrigo seja mantido por mais tempo
9 de 9

Moradores pedem que abrigo seja mantido por mais tempo

Hugo Barreto/Metrópoles
O que diz o GDF

Além do alojamento no autódromo, a Sedes também mantém um abrigo no mesmo formato em Ceilândia. O local também tem previsão de fechar as portas em janeiro, mas no dia 6, segundo a pasta. De acordo com o órgão, o governo gasta, mensalmente, cerca de R$ 2,5 mil por vaga nos alojamentos.

Questionada se deve ampliar o prazo de funcionamento nos locais, a secretaria informou que “discute soluções para não deixar a população desamparada”. No último dia 23, a Sedes publicou o resultado provisório do chamamento público para ampliar as vagas de Acolhimento Institucional. O processo está em andamento para a criação de 600 novas vagas em abrigos do DF durante dois anos.

“A intenção da Secretaria de Desenvolvimento Social é concluir esse processo até o fim dos contratos com as instituições que coordenam as unidades”, informou. Caso não sejam abertas as vagas até o final de dezembro deste ano, portanto, a Sedes diz que discute alternativas de acolhimento para que o público presente nos alojamentos provisórios do Plano Piloto e de Ceilândia não fique desabrigado.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comDistrito Federal

Você quer ficar por dentro das notícias do Distrito Federal e receber notificações em tempo real?