Testemunha da Caixa de Pandora afirma que 40 pessoas foram filmadas por Durval Barbosa

Francinei Arruda de Bezerra, que trabalhou para o delator do maior escândalo político do DF, garantiu que, além dos atuais réus, outros personagens foram gravados em situações suspeitas. Ele depôs na tarde desta quarta (17/2), em audiência da ação de improbidade administrativa

atualizado 17/02/2016 23:31

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O relato de que há outros vídeos envolvendo figuras conhecidas em Brasília negociando propina movimentou a audiência de instrução da Caixa de Pandora, na tarde desta quarta-feira (17/2). A informação foi dada por uma das testemunhas convocadas pela defesa dos réus durante uma das ações de improbidade administrativa. Francinei Arruda Bezerra, que trabalhou para o delator do esquema, Durval Barbosa (foto), garantiu que 40 pessoas foram gravadas pelo ex-chefe. Não citou os nomes com a justificativa de “medo do que pode acontecer com ele”. Além dele, outras quatro pessoas foram ouvidas ao longo de quase seis horas.

Técnico de informática, Bezerra foi o último a prestar depoimento na ação que tem entre os réus o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, o ex-vice-governador Paulo Octávio e o próprio Durval. Segundo a denúncia, os réus teriam usado contratos com a empresa Linknet Tecnologia e Telecomunicações para desviar cerca de R$ 64 milhões dos cofres públicos. Bezerra começou o depoimento falando que, da primeira vez em que esteve no Tribunal de Justiça do DF para prestar depoimento, em abril do ano passado, não falou e, dias depois, o carro dele foi incendiado. “Não sei o que pode acontecer depois que saio daqui”, relatou.

Apesar do receio, Bezerra contou que começou a trabalhar no governo em meados de 2005, por indicação de Durval Barbosa. “Virei homem de confiança do Durval. Ele me chamou para fazer a edição dos vídeos. Eram muitos, com mais de 40 pessoas diferentes”, garantiu. Segundo ele, além dos réus na Pandora, muitas outras figuras conhecidas no cenário político da capital do país foram gravadas por Durval em situação suspeita. Questionado pelos advogados de Arruda sobre os personagens que apareciam nas imagens, ele resistiu: “Fico com medo de relatar outros vídeos. Isso tem tirado minha paz, meu sono, meu sossego. Não vou citar nomes porque não sei o que essas pessoas são capazes de fazer comigo.

O juiz Rodrigo Barbosa, substituto da 2ª Vara da Fazenda Pública, interrompeu o depoimento e concordou que Bezerra não citasse os nomes, já que teme pela própria segurança. Entre os advogados dos réus que acompanhavam a audiência, o cochicho era para saber quem mais pode ter sido filmado. Também questionavam a possibilidade de Durval ter vídeos que não apresentou à Justiça, o que quebraria o acordo da delação premiada.

Bezerra disse ainda que manteve contato com Durval até dois anos atrás. “Eu não era funcionário dele, mas fazia manutenção dos computadores dele. Quando ele precisava de pedreiro, eletricista, pintor, pedia que eu arrumasse alguém. Tínhamos um vínculo, mas me distanciei”, afirmou.

Distribuição de cargos
Além dele, os promotores e o juiz Rodrigo Barbosa ouviram o depoimento de Luiz Carlos Francisco de Azevedo, que trabalhava na Secretaria de Planejamento, em 2008. Segundo ele, os processos de reconhecimento de dívidas, uma das estratégias que teria sido usada pelos réus para desviar dinheiro público, segundo as denúncias, eram autorizados por Luiz Paulo da Costa Sampaio, então presidente da Agência de Tecnologia do DF e réu nesta ação.

Ex-deputado distrital, Milton Barbosa foi o segundo. Falou basicamente sobre o loteamento político que foi feito por Arruda assim que ele foi eleito em 2006 como governador do DF. “Ele dava entrevistas à imprensa falando que o governo dele não seria cabide de empregos, mas ofereceu 30 cargos para cada deputado. Depois de um tempo, alguns conseguiram até 2 mil cargos”, disparou.

Outro convocado pela defesa, o ex-deputado e ex-secretário de Justiça do DF Alírio Neto também falou sobre a distribuição de cargos. Segundo ele, a negociação era feita com Arruda e com José Geraldo Maciel, então secretário de Relações Institucionais e réu nesta ação. Foi ouvido ainda o delegado da Polícia Federal Elzio Vicente da Silva, que participou das investigações que resultaram na Operação Caixa de Pandora.

Também são réus nesta ação Ricardo Penna (ex-secretário de Planejamento), Roberto Giffoni (ex-corregedor-geral do DF) e Gilberto Batista de Lucena (empresário).

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