Maia: deputados em obstrução por prisão de Lula terão corte no salário

Segundo presidente da Câmara, atitude de parlamentares da oposição prejudica andamento de projetos na Casa

WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDOWILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

atualizado 25/04/2018 23:46

Sem conseguir votar matérias importantes para o governo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ameaçou cortar parte dos salários dos deputados que se declararam em obstrução desde a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 7 de abril. Diante da rebeldia dos opositores, muitos projetos têm ficado engavetadas por falta de quórum.

Rodrigo Maia abriu a sessão, na noite desta quarta-feira (25/4), anunciando que todas as votações terão efeito administrativo. Segundo ele, há possibilidade de rever a decisão sobre a validade da presença no plenário dos parlamentares de partidos em obstrução.

“Sou muito da conciliação e do diálogo, mas se a oposição tem o direito de obstruir, vou reavaliar a questão de ordem sobre a presença em plenário”, ameaçou Maia.

A posição do deputado causou reação no plenário. O deputado Silvio Costa (Avante-PE), por exemplo, destacou que a oposição vai ficar em obstrução até o ex-presidente Lula ser solto. Já a deputada petista Érica Kokay (PT-DF) criticou a postura de Maia. “Nós não cedemos a chantagem. Isso é demonstração de profunda fraqueza, porque não conseguem conduzir um governo que está em frangalhos”, disparou.

Falta de quórum
A obstrução é um recurso previsto no regimento da Câmara utilizado por parlamentares em determinadas ocasiões para impedir o prosseguimento dos trabalhos. O líder anuncia que o partido vai adotar a medida. Diante disso, a presença dos deputados da bancada deixa de ser computada, o que dificulta o alcance do quórum para as votações.

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