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Novos trechos dos grampos captados por Liliane Roriz revelam conversa em que o ex-senador Luiz Estevão conta um episódio no qual o pai dela, o ex-governador Joaquim Roriz, pediu que o empresário intercedesse junto ao emissário da empreiteira Camargo Corrêa para a entrega de uma “mala de dinheiro”.

“Em 1993, estoura a CPI do Orçamento. O cara que pagava as coisas era um cara da Camargo Corrêa chamado Galo. O Galo é que levava a mala de dinheiro pro seu pai. Tá certo? Aí, seu pai me chama: ‘O Galo tá com medo da Polícia Federal dar uma batida aí. Eu precisava que você começasse a receber esse dinheiro e distribuísse esse dinheiro pra mim. Eu falei ‘tá bom’. Aí, resolvemos o problema da conta fora do Brasil”, diz Luiz Estevão. A conta bancária, em questão, ficava em Nova York.

A CPI do Orçamento investigou, entre 1993 e 1994, o caso de corrupção conhecido como “Anões do Orçamento”. No episódio, parlamentares desviavam recursos do Orçamento da União destinados a obras de assistência social para entidades fantasmas. O esquema beneficiava empreiteiras, governadores, ministros, senadores e deputados.

Liliane e Estevão também conversaram sobre a construção do Metrô do Distrito Federal. O ex-senador diz que ajudou Joaquim Roriz a conseguir a antecipação de verbas da União e com isso recebeu a promessa de que sua construtora seria a responsável pelas obras das estações de Ceilândia.

Segundo o ex-senador, os repasses da União para folha de pagamento eram feitos de forma parcelada: 18% até o dia 10 do mês, 32% no dia 20, e 50% no dia 30. Por conta da alta inflação, o governador aplicava o dinheiro até a data de pagamento e conseguia altos rendimentos. Roriz queria que o governo federal aumentasse o percentual da primeira parcela para 80% e conseguir quase R$ 20 milhões ao dia com as aplicações. Ele pediu que Estevão o ajudasse nessa operação.

“Seu pai ficou na maior empolgação: ‘Faz isso que te dou todas as estações da Ceilândia´”, relata Luiz Estevão no grampo de Liliane. O ex-senador conta que foi ao encontro do chefe de gabinete do à época ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Após conversas, os dois teriam feito o acordo.

Mas, historicamente, Roriz não deu início às obras naquela época. Apenas em 1999, já em seu segundo mandato eletivo, Roriz emitiu a ordem de serviço para a construção das estações de Ceilândia. Preterido, Estevão pressionou. “Peguei todos os carros novos e usados que eu tinha na minha concessionária e coloquei no centro do canteiro das estações de Ceilândia”.

Após conversas, os dois teriam chegado a um acordo. “Aí resolvemos o negócio das estações. Eu abri mão da estação 25 para o Paulo Octávio, que fez um consórcio com o Marcinho e com o Adalberto Valadão. Era a maior estação, a Hélio Prates. Eu fiquei com as outras”, afirma Estevão.

 

 

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