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Responsável pela divulgação de áudios que sugerem a existência de um esquema de corrupção envolvendo os integrantes afastados da Mesa Diretora, a deputada Liliane Roriz (PTB) voltou à Câmara Legislativa na tarde desta terça-feira (4/10). É a primeira vez que a parlamentar aparece na Casa desde que foi deflagrada a Operação Drácon, em 23 de agosto.

Ao Metrópoles, Liliane assegurou que não se sente constrangida por ter feito as denúncias que resultaram na ação policial e do Ministério Público e disse que “caberá à Justiça” decidir se os colegas são culpados ou não. São alvo da Drácon a presidente afastada da Casa, Celina Leão (PPS), além de Raimundo Ribeiro (PPS), Julio Cesar (PRB), Bispo Renato Andrade (PR) e Cristiano Araújo (PSD).

Ao comentar o regresso, após licença iniciada em 17 de agosto, Liliane brincou: “Estava cansada de ficar em casa, viu?”. Ao ser questionada sobre como enfrentará os deputados desde que se tornou persona non grata no parlamento, a petebista disse que “não tem que enfrentar ninguém”, e que está com “a cabeça erguida, pois fiz o que tinha que fazer, com paz, tranquilidade e Deus no coração”.

Liliane ainda comentou o escândalo do Bonde da Propina e disse que, ao entregar os grampos ao Ministério Público, “cumpriu seu dever de deputada, que é de fiscalizar e denunciar aquilo que está errado”.

Parecer contra cassação de Liliane
O regresso de Liliane ocorre um dia após o corregedor da Câmara Legislativa, deputado Rafael Prudente (PMDB), recomendar o arquivamento do processo de cassação da petebista. O parecer ainda será analisado na Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar da Casa. A primeira reunião para discutir o assunto foi marcada para o próximo dia 19.

Segundo a decisão de Prudente, há, na Justiça Eleitoral, um processo em curso que pede a perda do mandato de Liliane por falsidade ideológica e compra de votos na campanha de 2010. Em março deste ano, Liliane foi condenada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF). A defesa recorreu e o caso está no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Por essa razão, o deputado diz que não caberia a ele opinar pela cassação antes de uma decisão definitiva do TSE.

O pedido de cassação do mandato de Liliane foi uma iniciativa da ONG Adote um Distrital, que ingressou com a ação popular no início do ano. A condenação no TRE-DF foi um dos argumentos utilizados pela entidade. Outro diz respeito ao episódio em que a filha do ex-governador Joaquim Roriz é acusada de receber apartamentos em Águas Claras em um esquema de corrupção que envolve a concessão de um empréstimo de R$ 6,7 milhões do Banco de Brasília (BRB) à construtora WRJ Engenharia.

Em relação a esse caso específico, o processo que pede a cassação de Liliane Roriz foi sobrestado até que o Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) se manifeste em definitivo. Os integrantes do clã Roriz foram condenados em primeira instância e aguardam a conclusão do julgamento de recurso. “Como há uma divisão no TJDFT que pode condená-la ou inocentá-la, não me senti à vontade para analisar o caso”, disse Prudente.

 

 

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