Ibaneis quer criar “Cidade Inteligente”, com 200 mil vagas de emprego

A ideia é erguer empreendimento em 7 mi m² em local ainda não definido. Fazer um Polo de Flores e Frutas também está na pauta

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 04/01/2019 8:30

A gestão Ibaneis Rocha (MDB) tem planos ambiciosos para reduzir o desemprego no Distrito Federal. O novo governo quer construir o que seria a primeira cidade inteligente da América Latina, com previsão de abertura de pelo menos 200 mil postos de trabalho. A ideia é erguer o empreendimento em um terreno de 7 milhões de metros quadrados em local ainda a ser definido.

As informações constam no Relatório do Governo de Transição 2019-2022. O documento de 170 páginas, ao qual o Metrópoles teve acesso, norteará a gestão do emedebista pelos próximos quatro anos.

Na descrição do projeto, o Cidade Inteligente seria criado e administrado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável. No entanto, não há detalhes sobre o que seria a iniciativa nem como os postos de trabalho seriam criados. À pasta caberá, também, construir políticas públicas para o surgimento de outro programa voltado à geração de emprego e renda: o Polo de Flores e Frutas.

Embora o documento não esmiúce o tema, segundo a União Europeia, o conceito de cidade inteligente corresponde a “sistemas de pessoas interagindo e usando energia, materiais, serviços e financiamento para catalisar o desenvolvimento econômico e a melhoria da qualidade de vida”.

Esses fluxos de interação, de acordo com o departamento de projetos da Fundação Getúlio Vargas, “são considerados inteligentes por fazer uso estratégico de infraestrutura e serviços e de informação e comunicação, com planejamento e gestão urbana para dar resposta às necessidades sociais e econômicas da sociedade”.

Durante a campanha eleitoral, o novo chefe do Executivo local afirmou que uma de suas bandeiras seria fomentar a economia da cidade com vistas ao incremento na criação de ofícios formais. A mais recente Pesquisa de Emprego e Desemprego no Distrito Federal (PED-DF) mostra que ainda há um exército de desempregados na capital do país: são 308 mil pessoas em busca de colocação profissional.

Críticas ao Pró-DF
Outro pilar a ser erguido na tentativa de reduzir a massa de desocupados passa pela reformulação do Programa de Apoio ao Empreendimento Produtivo do DF.

Na visão da equipe de Ibaneis Rocha, o Pró-DF “encontra-se com diversas pendências que precisam ser resolvidas a fim de retomar o andamento da funcionalidade do programa. A situação presente não permite que cumpra com seus objetivos”, descreve o grupo de trabalho responsável por analisar a questão econômica na nova gestão.

Criado para aquecer a economia do DF, a segunda etapa do Pró-DF II fracassou e tem custado caro aos cofres públicos, como revelou o Metrópoles em julho de 2018. Segundo auditoria do Tribunal de Contas do DF (TCDF), entre uma série de problemas identificados, houve insignificante geração de empregos, renda, receita tributária e desenvolvimento econômico e social.

As conclusões da Corte de Contas mostram que apenas 12% das empresas estão funcionando nos moldes previstos pela Lei n° 3.196/2003, que criou o Pró-DF II. A maioria dos imóveis construídos ou utilizados para o programa teve desvio de funcionalidade: 71% deles, hoje, estão destinados à locação, o que não poderia ocorrer.

Parque Tecnológico improdutivo
O relatório elaborado pela equipe de transição de Ibaneis ainda destaca o subaproveitamento do Parque Tecnológico Capital Digital, o Biotic, que, segundo o GT de Ciência e Tecnologia, teve sua proposta de implementação “totalmente alterada” pelo governo de Rodrigo Rollemberg (PSB), sem a “devida consideração das demandas da sociedade civil organizada”.

Por fim, a transição emedebista sentencia: “O resultado é um subaproveitamento do potencial que esse polo oferece”.

Inaugurado em 21 de junho deste ano, o prédio onde foi erguido o Biotic possui 10 mil metros quadrados de área construída e teve investimento total de cerca de R$ 40 milhões, provenientes da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF).

58 grupos de trabalho
As informações estão contidas no Relatório do Governo de Transição (2019-2022), produzido pela equipe de Ibaneis nos dois meses que sucederam as eleições. O documento foi elaborado por 58 grupos de trabalho temáticos.

Foram compilados dados do plano de governo do emedebista, como compromissos feitos durante a campanha; e do documento elaborado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do Distrito Federal (Codese), intitulado O DF que a gente quer 2018-2030. Além disso, foram ouvidas entidades e representantes de comunidades.

Esse conjunto inicial de proposições será usado para orientar o início da nova gestão. É um resumo sistematizado, com desenho organizacional das pastas, cargos, funções e atribuições que compõem a administração do novo governo. Nele, existem diagnósticos, metas e propostas de solução de problemas.