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O presidente Michel Temer abriu o Palácio do Jaburu, neste sábado (9/9), para oferecer comida árabe a ministros e aliados e tentou dar novamente um clima de descontração ao encontro. Somente ao final de mais de três horas de almoço, Temer reuniu-se com um grupo menor – composto pelos ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) – que ouviram explicações e viram as planilhas do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Ao todo, o encontro durou mais de cinco horas.

Após o almoço, Meirelles foi o convocado para falar com a imprensa justamente para reformar a ideia de que governo segue trabalhando independente da crise da área jurídica. O ministro da Fazenda afirmou que nenhum tema polêmico foi tocado no almoço e que Temer, “durante o almoço, estava absolutamente tranquilo e depois fizemos reunião bastante objetiva”.

No almoço, participaram os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira, além do ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, e da Justiça, Torquato Jardim, e o deputado Heraclito Forte, que na última quinta-feira (7/9), foi o responsável por oferecer um almoço na casa de Maia com rabada e dobradinha.

Outros ministros também afirmaram que, durante o almoço, o clima foi de descontração. “Foi uma reunião amena, com conversa descontraída. Em família, tinham algumas esposas presentes”, afirmou Torquato, que recentemente confirmou já ter uma lista de três nomes para a troca do comando da Polícia Federal. Imbassahy também afirmou que o clima foi de descontração e que somente no encontro com Meirelles é que eles discutiram trabalho.

A diferença do almoço de quinta-feira para o deste sábado, entretanto, é que o clima político ganhou novos ingredientes. Há pelo menos três fatos novos em relação ao último encontro do grupo. Uma das novidades foi a prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que aconteceu nesta sexta após a Polícia Federal apontar “fortes indícios” de que os R$ 51 milhões encontrados em um apartamento em Salvador nesta semana sejam dele. Geddel é amigo pessoal de Temer há mais de 30 anos e durante muito tempo foi parte do núcleo peemedebista liderado pelo presidente.

Outro fato novo foi a denúncia envolvendo justamente integrantes do PMDB no Senado. Também na sexta, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal uma denúncia por formação de organização criminosa por integrantes do PMDB do Senado Federal no âmbito da Lava Jato. Os denunciados são os senadores Renan Calheiros, Romero Jucá, Edison Lobão, Jader Barbalho, Valdir Raupp, o ex-presidente e ex-senador José Sarney, além de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. Os peemedebistas são acusados de receber R$ 864 milhões em propina e gerar prejuízo de R$ 5,5 bilhões aos cofres da Petrobras e perda de R$ 113 milhões para a Transpetro.

E, por fim, outra “novidade” que pode integrar o cardápio do almoço deste sábado foi o pedido de Janot para prender o empresário e dono do grupo J&F, Joesley Batista. O pedido ainda precisa ser analisado pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte. Segundo apurou o Estado, Janot também pediu a prisão do diretor do J&F, Ricardo Saud, e do ex-procurador Marcello Miller. Apesar disso, os ministros garantem que as pautas mais ásperas não fizeram parte do cardápio.

 

 

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