*
 

A dança de cadeiras das trocas partidárias, que se encerrou no sábado passado (7/4), causou o enfraquecimento do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) na Câmara Legislativa. Depois do anúncio de que o PRB dos ex-líderes de governo na CLDF Julio Cesar e Rodrigo Delmasso deixou a base, o chefe do Executivo terá, ao menos por ora, apenas seis aliados entre os 24 distritais: Agaciel Maia (PR), Juarezão (PSB), Luzia de Paula (PSB), Professor Israel Batista (PV), Lira (PHS) e Telma Rufino (Pros).

O número nem de longe dá ao socialista poder de barganha em votações a menos de oito meses do fim do atual mandato, o que também pode representar enfraquecimento nas urnas.

O desembarque ocorre no momento em que o governador tenta reverter a baixa aprovação perante o eleitorado, que acabou se refletindo no apoio dentro da Casa. Sem a certeza de que Rollemberg conseguirá se reeleger, partidos aliados começam a se afastar e buscar alternativas eleitorais.

Mesmo legendas que estão ao lado de Rollemberg se mostram divididas entre seus deputados. O Pros conta com duas distritais no Legislativo local. Telma Rufino é presidente da Comissão de Assuntos Fundiários (CAF) e tem tocado projetos importantes, como o Código de Obras – aprovado na última semana – e a Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos), ambos de interesse do Buriti. Por outro lado, Liliane Roriz se declara independente. Ambas têm o aval do partido para manterem as posições.

Outro partido que está com o pé quase fora da base é o PR, de Agaciel – principal nome da articulação do GDF na Câmara. O líder do governo está na mesma sigla de Jofran Frejat, pré-candidato ao Buriti e, portanto, rival de Rollemberg nas urnas. Com isso, a saída do republicano é questão de tempo.

Cegos no tiroteio
Fiéis até o momento, Lira e Israel Batista ainda esperam seus partidos decidirem os próprios rumos. As siglas não fecharam questão sobre se deixam ou não o GDF nem se estarão com Rollemberg nas urnas. A questão é que o flerte com outras forças políticas também deve afastá-los do governador na Câmara Legislativa até o meio deste ano.

Restariam apenas dois nomes na base de Rollemberg: os colegas de PSB Juarezão e Luzia de Paula. A eles caberia as vezes de líderes do governo e articuladores para que pautas de interesse do GDF fossem aprovadas. Isso inclui a Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO), no final deste primeiro semestre, e a Lei Orçamentária Anual (LOA), em dezembro. Ambas devem chamar a atenção, especialmente do funcionalismo público, que aguarda reajuste salarial desde 2015.

Para o analista político do Instituto Lampião-Reflexões e Análises da Conjuntura Melillo Dinis, a situação de Rollemberg na CLDF é delicada. “Antigos aliados de Rollemberg têm evitado associar a própria imagem à do governador porque não acreditam na viabilidade eleitoral dele. Além do mais, acreditam que, nas eleições para os cargos proporcionais, terão melhor condição se concorrem em coligações com mais chances”, afirma.

O especialista acredita que, com menos força no parlamento, o GDF terá que ceder mais em futuras negociações para conseguir aprovar projetos de interesse do Buriti. “Os deputados sabem que a situação do governo na Câmara Legislativa se fragilizou. Com isso, a tendência é de que tenham mais força para barganhar na hora de votar propostas em plenário”, aposta Dinis.