De olho nas eleições, distritais não votaram nada desde fim das férias
Não há quórum nas sessões do plenário necessário para a análise de projetos importantes. Entre eles, a concessão do Mané Garrincha
29/08/2018 06:34, atualizado 29/08/2018 07:59

De volta aos trabalhos na Câmara Legislativa desde 1º de agosto, os deputados distritais não votaram nem sequer uma moção ou projeto no plenário da Casa após o fim das férias. Mesmo com matérias importantes em pauta, como a concessão da gestão do Mané Garrincha à iniciativa privada, propostas dos próprios parlamentares e emendas à Lei Orgânica, não há quórum nas sessões. Os distritais estão mais preocupados com as urnas, e destinam suas agendas à conquista de votos.
Mesmo assim, o ponto dos parlamentares dificilmente é cortado, uma vez que muitos apenas passam pelo local, assinam a lista e vão embora. Isso quando não chegam depois de encerrada a sessão e marcam suas presenças ou ainda quando a lista “vai” até o gabinete deles, levada por assessores.
Três deputados assinaram a lista de presença após a sessão, sem se constrangerem com a presença da reportagem, nessa terça-feira (28/8): Professor Israel Batista (PV), Ricardo Vale (PT) e Luzia de Paula (PSB). O distrital petista ainda zombou: “Entre tomar porrada do Metrópoles e perder meu ponto, prefiro assinar o dia”.
Culpa dos líderes
Professor Israel foi mais duro e responsabilizou os líderes de bloco e partidos, que se reúnem e não definem nenhuma agenda devido à falta de quórum.
“O mais importante é que haja pauta. A falta de proposições para apreciarmos é responsabilidade do colégio de líderes. Normalmente, a sessão começa com os debates, os pronunciamentos e só umas duas horas depois é que há votação. Mas a sessão tem sido fechada com muita antecedência”, reclamou o representante do PV.
O colega é rebatido pelo presidente da Casa. Joe Valle (PDT): “Há matéria para ser votada. Falta os deputados comparecerem às sessões”. O distrital afirmou ainda que colocará em pauta, na próxima terça-feira (4/9), o projeto de concessão da ArenaPlex.
O presidente ressaltou que, apesar de não estarem ocorrendo votações, comissões e outras instâncias da Casa, estão funcionando.
De acordo com o regimento interno da Câmara Legislativa, a presença dos parlamentares só deve ser assinada em plenário. Ou seja: caso o distrital não esteja presente nas sessões às terças, quartas e quintas-feiras, ele deve justificar os motivos pelos quais não compareceu.
Verba indenizatória
Apesar da ausência, os parlamentares continuam tendo acesso à parcela mensal da verba indenizatória, no valor de R$ 15.193,35. Com exceção dos valores para a divulgação do mandato, o que inclui a impressão de informativos, o uso está liberado mesmo em período de campanha.
Um grupo de estudo foi criado na Casa para analisar a possibilidade de restringir o uso dos recursos nos meses de campanha. Porém, especialmente por conta do período eleitoral, dificilmente a proposta deverá ser votada antes do pleito de outubro. Por isso, de acordo com a Secretaria da Mesa Diretora, a suspensão da utilização das verbas só poderá ser feita após a publicação de um novo ato, que deverá ter a assinatura de pelo menos três dos cinco membros do colegiado.
Nos primeiros meses de 2017, quando Joe Valle assumiu o Legislativo local, chegou-se a discutir o fim do uso de recursos. O benefício foi mantido, embora reduzido em 40%.
