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A defesa do deputado distrital Cristiano Araújo (PSD) vai protocolar, nas próximas horas, uma petição pedindo que a Justiça retire todo e qualquer conteúdo, mídia e quebra de sigilo do processo da Operação Drácon que exponham a intimidade do parlamentar, mas não contribuam para o esclarecimento dos fatos investigados. O pedido será feito ao desembargador José Divino, que retirou o caráter sigiloso da ação na última terça-feira (22/11).

A decisão dos advogados de Cristiano Araújo, um dos investigados pela Drácon, foi tomada após o Metrópoles divulgar o conteúdo de vídeos que constavam no celular do distrital, apreendido na primeira fase da operação. Foi no aparelho do parlamentar que os promotores do Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) acreditam ter encontrado uma planilha referente ao modus operandi da corrupção envolvendo a liberação de emendas parlamentares.

Cristiano Araújo é um dos cinco distritais denunciados à Justiça por corrupção passiva. Além dele, são alvos da ação na Justiça a presidente afastada da Câmara Legislativa Celina Leão (PPS) e os membros da Mesa Diretora Raimundo Ribeiro (PPS), Julio Cesar (PRB) e Bispo Renato Andrade (PR). Eles teriam recebido propina de empresários da saúde em troca de aprovação de emenda no valor de R$ 30 milhões. Todos negam as acusações.

Nos vídeos, Cristiano Araújo faz imitações de personagens famosos, como Chaves e sua clássica frase: “Mas não se irrite”.  Em outro episódio, imita o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, no episódio em que ele nega ter tido relacionamento com a ex-estagiária Mônica Lewinsky.

Em mais uma performance, o deputado, conhecido pela sua jovialidade, canta Bad Boys do mítico grupo Inner Circle. A letra diz, em tradução livre, “Garotos maus, garotos maus/ O que você vai fazer, o que você vai fazer/ Quando eles vierem?”

Em nota, o parlamentar lamenta o vazamento dos vídeos e diz que estuda, com seus advogados, providências contra “os responsáveis.” Usando o mesmo expediente, Cristiano Araújo também ataca o MPDFT. “Lamento e repudio o modo operacional do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios que tenta, a qualquer custo, vincular minha imagem a um suposto esquema de corrupção.”

“Sem elementos concretos que possam comprovar ou ao menos sustentar essa absurda teoria, o Ministério Público criou interpretações falsas para anotações pessoais e estritamente legais, sobre atividades corriqueiras do meu mandato, legitimamente conquistado nas urnas.”

O MPDFT afirma categoricamente que não é o responsável pelo vazamento referente às informações do deputado Cristiano Araújo. Por meio de nota, divulgada nesta quarta (23), o órgão faz as seguintes ponderações:

  • – A respeito da divulgação de vídeos que supostamente fariam parte do conteúdo das investigações da Operação Drácon, que vieram a público hoje, dia 23 de novembro, o MPDFT esclarece que:

– Mantém o foco de seu trabalho apenas nas informações que interessam à investigação criminal.

– Fatos que dizem respeito à vida privada de investigados não são apurados nem divulgados pela Instituição.

– Por fim, é dever do Ministério Público zelar pelas garantias constitucionais dos indiciados, dentre elas, a preservação da intimidade de cada um, orientação a ser observada em todos os procedimentos investigativos.

 

 

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