Com desistências, disputa pela presidência da CLDF se afunila

Dos cinco nomes que tentavam se cacifar para concorrer ao cargo, dois sinalizam saída da contenda: Agaciel Maia e Reginaldo Veras

Filipe Cardoso/MetrópolesFilipe Cardoso/Metrópoles

atualizado 16/12/2018 15:01

Eleitos para a próxima legislatura, os futuros deputados distritais caminham para costurar, ou pelo menos tentar, um nome de consenso para o comando da Câmara Legislativa (CLDF) a partir de janeiro de 2019. Dos cinco pretensos candidatos a ocupar a principal cadeira da Casa, dois já são são considerados fora da disputa, marcada para 1° de janeiro, logo após a cerimônia de posse.

Mesmo sem o tom oficial de candidatos, continuam na corrida pela presidência da Casa os distritais Rafael Prudente (MDB), Rodrigo Delmasso (PRB) e Claudio Abrantes (PDT). Os três fazem parte da bancada de apoio ao governador eleito Ibaneis Rocha (MDB).

O fato força o emedebista a manter uma certa distância do processo de escolha. A pessoas próximas, contudo, o futuro titular do Palácio do Buriti tem dito que, na reta final, poderá escolher entre os dois mais bem colocados na corrida rumo à Mesa Diretora.

Atual líder do governo de Rodrigo Rollemberg, o distrital Agaciel Maia (PR) preferiu jogar a toalha em sua pretensão, mas com a garantia de ser reconduzido para o comando da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (Ceof). Outro candidato ventilado, Reginaldo Veras (PDT), teria sinalizado apoio ao correligionário pedetista, Claudio Abrantes.

Procurados pela reportagem, nenhum dos deputados quis comentar as negociações em curso nos bastidores da CLDF.

Matemática na ponta do lápis
Por outro lado, em reuniões discretas nas dependências do Legislativo local, cálculos e mais cálculos são feitos com o objetivo de antecipar um possível resultado das urnas. O histórico de “traições” ocorridas nas recentes eleições da Casa é tão grande que deixa os parlamentares com o pé atrás quando o colega manifesta simpatia a algum dos cotados. Desconfiados, preferem contabilizar os nomes de quem declara abertamente o voto.

Pelas contas não oficiais, juntos, Prudente e Delmasso teriam a confirmação de pelo menos 10 votos dos próximos mandatários. Já Abrantes somaria sete distritais apoiadores de sua campanha. Caso o cenário se confirme, outros sete estariam soltos em busca de um candidato.

Cada voto é muito precioso. No caso de empate entre os três, Abrantes levaria vantagem, por ter mais mandatos no currículo. O critério de desempate está previsto no Regimento Interno da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Traições
Em pelo menos dois episódios diferentes, a eleição da Mesa Diretora da CLDF foi marcada por manobras inusitadas que refletiram diretamente no resultado da escolha.

Em 2004, num revés, o então distrital Fábio Barcellos (PDT) foi eleito presidente da Casa, vencendo contra Pedro Passos (MDB), candidato da preferência do então governador, Joaquim Roriz. Os distritais foram levados de avião para uma fazenda, sem sinal de celular, e por lá ficaram até o momento da eleição. Roriz dava como certa a vitória do aliado.

No episódio mais recente, na disputa entre Agaciel Maia e o atual presidente da Casa, Joe Valle (PDT), a vitória se deu pelo voto de Robério Negreiros (PSD) – que, de última hora, deixou de apoiar o então escolhido e votou no pedetista.

Oficialmente, os deputados distritais dizem torcer pela união dos candidatos. Na sexta-feira (14/12), durante entrevista à rádio Metrópoles FM, o deputado eleito Fernando Fernandes (Pros) declarou que tudo caminha para um entendimento. “No fim das contas, vamos encontrar um nome de consenso para que não haja disputa. O caminho é esse”, disse.

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