Os deputados Chico Vigilante (PT) e Robério Negreiros (PSD) voltaram a trocar farpas dentro do plenário da Câmara Legislativa (CLDF), nesta quarta-feira (13/2). O petista foi à tribuna reclamar do suposto atraso no pagamento do vale-alimentação dos vigilantes que trabalham para a empresa Brasfort, da família Negreiros. O pessedista não deixou por menos: desceu de seu gabinete e disparou ataques contra o desafeto.

De acordo com Chico Vigilante, desde o fim de 2018, a Brasfort atrasa o pagamento do vale-alimentação de cerca de 3 mil trabalhadores. Segundo o petista, a empresa não estaria pagando o benefício por não haver nova convenção coletiva de trabalho (CCT) assinada.

“Eu não sei em qual mundo o Chico vive. Acho que é o mundo da fantasia. No WhatsApp, ele mente frequentemente. Só para explicar, hoje não há uma lei que regulamenta o vale-alimentação, por isso é preciso uma convenção: se a empresa pagar, pode receber processo por improbidade. O deputado Chico Vigilante não emprega ninguém e parece que tem inveja. Ao contrário, recebe aposentadoria da Câmara Federal somada aos rendimentos de deputado distrital”, atacou Robério.

Segundo Robério, já havia um acordo para assinar a convenção coletiva, mas, por suposta influência do petista, a categoria teria recuado. “Hoje, o câncer da categoria se chama Chico Vigilante”, disparou.

Em seguida, o petista voltou ao microfone para rebater o adversário. Ele disse que a convenção não teria sido assinada pelo sindicato patronal por ordem de Robério. “Ele vem aqui com esse tipo de comportamento inadequado para um parlamentar. Se quer resolver, pague o tíquete dos trabalhadores”, cobrou Chico Vigilante.

A deputada Arlete Sampaio (PT) saiu em apoio ao companheiro de partido. Segundo a distrital, Vigilante “não vive no mundo da lua”, como disse Robério. “Eu, como médica, posso atestar que o Chico não tem qualquer problema mental. Essa Casa não deve ser palco de acusações”, afirmou Arlete, lembrando a trajetória sindical do colega.

Apesar dos esforços, Robério voltou a acusar Chico de mentiroso. Já fora da tribuna, com o dedo em riste, chamou o adversário de “moleque”. A briga foi encerrada após mais uma intervenção, desta vez do presidente da Câmara Legislativa, Rafael Prudente (MDB).

Após a publicação da reportagem, Robério procurou o Metrópoles para reforçar que a a empresa da família só poderá pagar o tíquete-alimentação após assinatura da convenção coletiva. “Um parecer da procuradoria lotada na Seplag [Secretaria de Fazenda, Planejamento, Orçamento e Gestão] afirma que, sem a CCT válida, o órgão não paga a rubrica vale-alimentação, fazendo glosa [retenção de pagamentos nos contratos administrativos] nos fornecedores. O problema não são as empresas, e sim a intransigência do sindicalista Chico Vigilante em impor a não assinatura da convenção de trabalho”, disse o deputado.