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Após o cumprimento dos 26 mandados de prisão, busca, apreensão e condução coercitiva durante a segunda fase da Operação Paiol, nesta quinta-feira (12/4), os investigadores da Polícia Civil do DF deram início às apurações para mapear a origem das armas e munições apreendidas na casa do subtenente aposentado da Polícia Militar Décio Gonçalves. A mansão em Vicente Pires, segundo a PCDF, funcionava como uma espécie de “bunker” do crime, onde armamento de grosso calibre, como fuzil 762, era comercializado em larga escala.

As centenas de caixas de munição calibre 762 apreendidas na operação chamaram atenção dos policiais. Elas equipam fuzis utilizados em guerras como as do Oriente Médio. Para se ter uma ideia, os cartuchos encontrados na casa do PM aposentado podem atingir alvos a 900 metros de distância. “Se você levar um tiro a uma curta distância, provavelmente não vai nem sentir, tamanha a velocidade da bala”, explicou o delegado-chefe da 23ª Delegacia de Polícia (Ceilândia), Victor Dan.

Esse tipo de munição não está à venda no Brasil e é considerado de uso restrito das Forças Armadas. No DF, não é comum a apreensão de fuzis com esse calibre, mas as investigações vão tentar rastrear quem chegou a comprar caixas com as balas das mãos de Décio Gonçalves. Armas desse poder de fogo estão sendo usadas por quadrilhas especializadas no roubo de cargas e de valores em rodovias federais.

Informações que chegaram aos investigadores dão conta que o militar teria costume de viajar para o Paraguai, onde haveria facilidade para adquirir armas pesadas e munições em grande quantidade. “Estamos confirmando algumas possibilidades sobre a casa ter sido usada como ponto de encontro, onde alguns comparsas pegavam os armamentos para serem revendidos a criminosos”, disse Victor Dan.

Fuzis, espingardas, pistolas e revólveres foram apreendidos na casa do PM aposentado. Cerca de 20 mil munições dos mais variados calibres, além de maquinário para recarregar cápsulas deflagradas, foram levados pelos agentes da 23ª DP.

Veja imagens da operação desta quinta-feira (12/4):

 

Além do subtenente, foram presos nesta quinta (12): Diego Henrique, Lucas de Araújo, Mickey Dandiny Alves da Silva, Vilmon Rodrigues de Souza e Thiago Ângelo Machado. Eles estavam sendo investigados há um ano, mas agem no DF e no Entorno desde 2015, segundo as apurações.

Com base nas investigações, Thiago Ângelo, militar da Aeronáutica, é um dos membros da quadrilha que comprava as armas para revender. O subtenente Décio seria o fabricante e comercializador. Mickey e Vilmon são apontados como criminosos que adquiriam o armamento da quadrilha.

A primeira fase da Paiol
Em 7 de março, cerca de 200 policiais civis cumpriram 32 mandados de prisão, busca e apreensão, além de conduções coercitivas. De acordo com as diligências, os armamentos eram distribuídos para homicidas, assaltantes e integrantes de organizações criminosas da cidade.

O principal alvo da operação foi o ex-militar do Exército Brasileiro e ex-policial militar de Goiás Pedro Henrique Freire de Santana. Mesmo preso desde março, ele também teve novo mandado em seu nome nesta quinta (12). A suspeita é que ele conseguia armas e munição das duas instituições com colegas de farda, até hoje em serviço, e as revendia ou alugava para bandidos.

 

O esquema era alimentado por cerca de 30 pessoas e cada munição, dependendo do calibre, chegava a ser vendida por R$ 10. As investigações começaram após um assalto com reféns em uma casa na Ceilândia. Na ocasião, a polícia identificou que armas de uso exclusivo do Exército foram utilizadas.