PM acusado de matar jovem em boate foi promovido 2 anos após o crime

Carlos Eduardo Lopes Vidal foi promovido a primeiro-sargento dois anos após ser acusado de matar o pintor e mecânico Ithallo Matias Gomes

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1 de 1 local-onde-foi-baleado-1 - Foto: Michael Melo/Metrópoles

O policial militar do Distrito Federal Carlos Eduardo Lopes Vidal foi promovido a primeiro-sargento dois anos após ser acusado de matar o pintor e mecânico Ithallo Matias Gomes, 20 anos (foto em destaque). O crime ocorreu dentro de uma boate no Itapoã (DF), em 2019. O policial será julgado por homicídio doloso no Tribunal do Júri do Paranoá nesta quinta-feira (7/5), às 9h.

Carlos Eduardo foi promovido a primeiro-sargento em 23 de dezembro de 2021, dois anos após o crime que ele foi denunciado e pronunciado. Atualmente, o acusado recebe um salário bruto de R$ 17,4 mil, segundo o Portal da Transparência do DF.

Ithallo foi assassinado em uma boate do Itapoã, na madrugada de 28 de junho de 2019, após uma briga generalizada envolvendo Carlos Eduardo, segundo-sargento da PMDF à época. Após ser atingido por um tiro, a vítima foi levada ao Hospital da Região Leste (Paranoá), mas não resistiu ao ferimento. A vítima não tinha nada a ver com a confusão e somente estava no espaço.

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No dia do crime, o militar se apresentou espontaneamente à polícia, e alegou que reagiu a um roubo. No entanto, outras testemunhas apresentaram outra versão. Carlos chegou a ser preso em 29 de junho de 2019, mas foi solto em setembro daquele ano e responde o processo em liberdade.

Em recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), a defesa de Carlos conseguiu retirar as qualificadoras de tentativa de homicídio e comunicação falsa de crime que poderiam aumentar a pena.


Mais detalhes do crime

  • De acordo com as investigações, Carlos Eduardo chegou ao Bar Secret embriagado, juntamente com amigos, e deu uma “carteirada” para entrar no local sem passar por revista.
  • Já no interior do estabelecimento, segundo o MPDFT, observou que uma garota com quem já havia tido um relacionamento extraconjugal dançava com um rapaz. Ele, então, passou a discutir com a jovem e, quando o homem que a acompanhava tentou intervir, Carlos Eduardo sacou sua arma e efetuou um disparo. O tiro não atingiu o sujeito pretendido e acabou ferindo fatalmente Ithallo Matias, que não estava envolvido na confusão.
  • Mesmo diante dos acontecimentos, o policial Carlos Eduardo, em vez de socorrer Ithallo, juntou-se a seus amigos e o grupo passou a agredir o verdadeiro alvo. O denunciado fugiu do local do crime e, horas após, procurou a 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá) alegando que havia sido vítima de tentativa de assalto e, por isso, disparou nas proximidades do bar. Essa versão, de acordo com o MPDFT, foi criada para se esquivar de eventual prisão em flagrante, fato que gerou dificuldade no início das investigações.
  • Os investigadores ouviram mais de oito pessoas, entre elas os envolvidos na briga, seguranças da casa noturna e o proprietário do estabelecimento. A história contada pelo agora terceiro-sargento foi desmentida logo pela primeira testemunha, que seria amante de Carlos Eduardo. Aos policiais, a mulher explicou que se relaciona de maneira extraconjugal com o militar há pelo menos três meses. Ela teria dito que sabia que o PM é casado e tem filhos.
  • A investigação da PCDF apontou que a cena do crime teria sido limpa antes que a perícia fosse feita no local.

Assessor de ministros do STF

Na época do crime, o Metrópoles mostrou que Carlos Eduardo Lopes Vidal tem um histórico de dedicação a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 6 de fevereiro de 2018, ele foi nomeado assessor-chefe da Assessoria de Segurança Institucional do gabinete da Presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob comando do ministro Luiz Fux. Em agosto, passou a atuar como assessor na equipe da ministra Rosa Weber, onde ficou apenas um mês.

No mesmo dia da exoneração, Carlos Eduardo passou a ocupar cargo similar no gabinete do ministro Luiz Fux, atual vice-presidente da Suprema Corte. O PM deixou o STF apenas em maio deste ano.

A Polícia Militar do DF foi acionada para se manifestar sobre o caso, mas não havia respondido aos questionamentos da reportagem até a última atualização deste texto. O Metrópoles não conseguiu confirmar se o Carlos Eduardo segue atuando na corporação ou se foi afastado enquanto não ocorre o julgamento.

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