Pesquisa do DF traça perfil de feminicidas para combater violência
Estudo traz as percepções de mulheres e de feminicidas presos sobre o panorama de violência; estudo visa combate e prevenção dos crime

A governadora Celina Leão (PP) apresentou a pesquisa “Panorama da violência contra a mulher no Distrito Federal”, nesta sexta-feira (12/6). O estudo do Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPE-DF) ouviu mais de cinco mil pessoas, incluindo mulheres e 39 feminicidas presos na Papuda.
O levantamento tem como objetivo traçar o perfil dos feminicidas e das vítimas para auxiliar a implementação de ações de combate e prevenção à violência contra a mulher. Essa é a primeira pesquisa pública do Brasil sobre o tema.
Entre os resultados do levantamento estão as motivações apontadas pelos autores de feminicídio, que disseram matar mulheres por honra, machismo e sentimento de posse. Desde 2015, o DF registrou 242 vítimas de feminícidios.
“Nós percebemos a condição de comportamentos repetitivos entre os homens em termos de violência. E tentam legitimar isso. Continuam firmes, mesmo cumprindo pena, falando que isso é honra”, alertou Celina.
As mulheres precisam ser verdadeiramente respeitadas. Não é a roupa da mulher que vai definir quem ela é. Não é a vida pessoal que vai definir quem ela é. A honra masculina, a autoridade masculina, o poder masculino que tem sido passado, tem contribuído para matar as nossas mulheres”, alertou Celina Leão.
Segundo o estudo, 78,5% das mulheres relataram ter sofrido violência ao longo da vida. Sendo que 44,8% reconheceram ter sido vítimas de violência doméstica. Enquanto, 11,4% dos homens admitiram ter empurrado ou segurado com força a esposa ou namorado após ficarem nervosos.
Entre as mulheres ouvidas, 21,5% disseram ter sofrido violência, nos últimos 12 meses. De acordo com a pesquisa, 15,4% das entrevistadas estavam casadas ou morando com os parceiros violentos. O principal fator associado a uma maior vitimização é a dependência financeira.
O estudo jogou luz em tipo um de violência doméstica pouco comentado: a violência patrimonial (39,6%). Essa modalidade ocorre quando o agressor faz tolhimento financeiro da parceira. De acordo com a pesquisa, 49,4% dos entrevistados não reconheceram a violência patrimonial como um tipo violência.
Para a governadora, o estudo dará elementos para ajudar no combate e prevenção ao feminicídio. Por isso, o governo publicará um decreto para institucionalizar a pesquisa no DF.
Além disso, segundo Celina, o governo fará campanhas de conscientização, e terá o reforço de aulas contra machismo em escolas públicas, para garantir o respeito à mulher.
Entre as mulheres respondentes, os tipos mais frequentes de violência foram:
- 62,6% violência moral
- 61,5% violência psicológica
- 39,6% violência patrimonial
- 39,6% violência física
- 35,4% violência sexual
Perfil dos feminicidas
Segundo a pesquisa, o crime de feminicídio envolve homens com trajetórias marcadas por uma socialização masculina baseada em: autoridade, punições, dificuldade em solicitar ajuda e crença no dever de prover.
Os entrevistados relataram e associaram à figura paterna à perspectiva de autoridade e rigidez. Disseram que sofriam castigos físicos e já presenciaram situações de violência doméstica, onde geralmente o pai era o agressor da mãe.
Segundo os pesquisadores, ambientes familiares violentos e traumáticos para crianças e adolescentes podem contribuir para a reprodução de violência no futuro.
A pesquisa revelou ainda que o escalonamento da violência envolveu percepções dos entrevistados de desrespeito à honra masculina, que incluiu: humilhações públicas; disputas por autoridade; traições; e situações de rebaixamento.
Os entrevistados relatam fatores para o agravamento dos conflitos: pressões do dia a dia, ameaças, ofensas, dívidas, problemas familiares, ruptura da rotina do casal, álcool e drogas.
No que se refere ao momento do crime, os entrevistados afirmam a não influência de entorpecentes.
O estudo ainda constatou o machismo na sociedade. Um em cada três respondentes, entre homens e mulheres, concorda com expressões, como:
35,4% – toda mulher é um pouco histérica
34,9% – mulher é o sexo frágil
33,3% – tem mulher que é para casar e tem mulher que é para levar para a cama
Segundo os pesquisadores, os homens tendem a concordar mais com essas frases machistas.

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