PCDF vai produzir pelo menos 20 laudos sobre as mortes em série em UTI
Três pacientes foram mortos na UTI de um hospital privado. A suspeita é de que três técnicos tenham provocado os óbitos intencionalmente
atualizado
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A Polícia Civil do Distrito Federal vai elaborar pelo menos 20 laudos sobre as três mortes ocorridas na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).
Inicialmente, o Metrópoles havia publicado que outras 20 mortes seriam investigadas sob suspeita de atuação dos técnicos na UTI, mas a Polícia Civil do Distrito Federal esclareceu que, no caso, o Instituto de Criminalística (IC) da corporação vai elaborar 20 laudos sobre as possíveis causas das três mortes.
A PCDF irá analisar em um período de ano se houve óbitos em circunstâncias parecidas com a das três vítimas – que tiveram mortes abruptas após aplicação de uma substância letal.
O Metrópoles apurou que o trio, detido pela PCDF, teria matado João Clemente Pereira, 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, 33 anos, servidor dos Correios; Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada, de 75 anos. A motivação do crime ainda é investigada.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Wisllei Salomão, os técnicos de enfermagem têm histórico de trabalho em hospitais particulares e públicos do Distrito Federal. A PCDF irá investigar se ocorreram homicídios nesses outros locais em que os suspeitos atuaram.
Os crimes foram cometidos por duas técnicas, de 22 e 28 anos, e um técnico de 24 anos de idade. São eles: Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camille Alves da Silva.
O profissional de 24 anos era o responsável por injetar as medicações – ele cursa fisioterapia. A técnica de 28 anos também tinha histórico de trabalhar em outros hospitais. A jovem de 22 anos estava no seu primeiro trabalho.
Operação Anúbis
Nesta manhã, uma operação da Polícia Civil do DF prendeu os três técnicos de enfermagem suspeitos.
O caso foi denunciado às autoridades pelo próprio hospital, após observar circunstâncias atípicas relacionadas ao trio na UTI. “O hospital instaurou investigação, por iniciativa própria”, afirmou a instituição em nota. (confira nota completa mais abaixo).
Entenda o caso
- A primeira fase da operação foi deflagrada na manhã de 11 de janeiro, com apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE)
- Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente por ordem judicial. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal.
- Durante as diligências, os policiais recolheram materiais considerados relevantes para a apuração, que passaram a ser analisados pelos investigadores.
- A polícia busca esclarecer a dinâmica das mortes, o papel de cada suspeito e se houve participação de outras pessoas.
- As investigações tiveram um novo avanço na última quinta-feira (15), com a deflagração da segunda fase da Operação Anúbis.
- Nessa etapa, a Polícia Civil cumpriu mais um mandado de prisão temporária contra uma investigada e realizou novas apreensões de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.
Delegado responsável pelo caso, Wisllei Salomão explicou como os suspeitos atuavam e detalhou que, em um caso específico, o técnico de enfermagem administrou um produto químico de limpeza no paciente.
“Em um dos casos, ele sugou um desinfetante no quarto de um paciente com a seringa e aplicou ao menos 10 vezes no paciente”, afirmou o delegado.
As apurações fazem parte da Operação Anúbis, conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP), e apontam que os investigados teriam utilizado uma substância aplicada diretamente na veia das vítimas.
A substância, quando administrada fora de protocolos médicos, pode causar parada cardíaca em poucos minutos.
Fontes ligadas à apuração afirmam que o uso do composto químico chama a atenção dos investigadores por se tratar de uma substância que pode levar à morte sem deixar sinais evidentes em um primeiro momento, o que dificulta a identificação da causa real do óbito e pode simular morte natural ou complicações clínicas.
Confira a nota do Hospital Anchieta, na íntegra:
“O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.
Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.
Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.
O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.
O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a Justiça”.
