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Investigadores da Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) da Polícia Civil do DF prenderam um homem acusado de tráfico interestadual de drogas sintéticas. Segundo os policiais, o suspeito abastecia a clientela de alto poder aquisitivo do Distrito Federal e de várias unidades da Federação.

A prisão, parte da Operação Acarajé Químico, ocorreu em Salvador, na Bahia. Uma mulher também foi presa no DF por ser uma espécie de contato do criminoso.

De acordo com os investigadores, o traficante baiano, que é universitário, usava seus conhecimentos em informática para se manter fora do radar das autoridades locais e utilizava um modus operandi que tem se revelado viral entre os jovens que vendem drogas sintéticas. Gerenciando três grupos de WhatsApp com dezenas de usuários e por meio de envio postal, obtinha ilimitada capilaridade no território nacional e grande penetração no mercado consumidor.

O suspeito dizia que gerenciava uma “Maravilhosa Fábrica de Chocolates” – entre os traficantes e usuários, “doces” são drogas alucinógenas, e “balas”, comprimidos de ecstasy – e usava o apelido de “Sr. Wonka”, fazendo alusão ao personagem Willy Wonka, do filme A Fantástica Fábrica de Chocolates.

 

Os policiais da Cord conseguiram interceptar mil comprimidos de ecstasy, 300 pontos de LSD, assim como dezenas de cristais de MDMA, o princípio ativo do ecstasy. “Esse traficante responderá por tráfico interestadual de drogas, associação ao tráfico e lavagem de capitais por receber os depósitos em contas de laranjas. Outros usuários que recebiam encomendas desse fornecedor serão intimados a prestar declarações”, afirmou o delegado Erik Sallum.

De acordo com o policial, as últimas prisões demonstraram que o tráfico de drogas sintéticas tem adotado um modelo de negócio altamente sofisticado. Para evitar a imobilização de capital e depósitos com grandes quantidades de droga, primeiro os traficantes fazem uma pré-venda, até mesmo com rateios nos grupos de WhatsApp.

“Somente depois de os interessados depositarem os valores correspondentes nas contas de laranjas, os traficantes zeram as contas bancárias, captam a quantidade certa de entorpecente previamente vendida e rapidamente as enviam via postal, mantendo uma lógica de estoque zero”, explicou.

Sallum ressaltou que atuando dessa forma e obtendo grande giro de capital, os traficantes evitam prejuízos com a apreensão da mercadoria ou sequestro de valores das contas correntes pela Polícia Judiciária. “Esse modelo de negócio se diferencia muito do clássico narcotráfico de maconha e cocaína, demandando das forças policiais novas estratégias de atuação. Não há uma hierarquização vertical, mas sim um sistema em rede horizontal gigantesco”, disse.