PCDF investiga quatro casos envolvendo fraude milionária em fintech
A fintech Naskar Gestão de Ativos “desapareceu” com mais de R$ 900 milhões pertencentes a investidores do DF e de outros estados do Brasil
atualizado
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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga a atuação da fintech Naskar Gestão de Ativos Ltda. na capital da República após a empresa “desaparecer” com mais de R$ 900 milhões pertencentes a investidores espalhados pelo Brasil.
Até o momento, segundo a corporação, quatro boletins de ocorrência foram registrados no DF, entre os dias 7 e 8 de maio, em diferentes delegacias. Cada unidade irá apurar possível golpe sofrido pelos brasilienses.
A Naskar operava no Distrito Federal e em São Paulo, com cerca de 3 mil clientes. Nesta semana, a fintech interrompeu repentinamente as atividades e deixou os investidores desesperados.
Entenda o caso
- A Naskar Gestão de Ativos chegou a ter sede no DF e, atualmente, tinha endereço fixo em São Paulo (SP). Se apresenta como fintech (empresa de serviços financeiros que apresenta facilidades aos clientes frente a bancos tradicionais);
- A empresa atuava captando recursos de clientes com retorno de 2% ao mês, valor bem acima do operado pelo mercado;
- Por exemplo: se uma pessoa investisse R$ 1 milhão, receberia R$ 20 mil mensais pagos pela fintech, enquanto a empresa cuidaria do patrimônio investido pelo cidadão;
- A financeira atuou por 13 anos sem problemas. Até que, no início desta semana, o pagamento mensal de rendimentos, que era previsto para segunda-feira (4/5), não foi realizado;
- Os clientes buscaram entender o que estava acontecendo e não obtiveram resposta até o momento.
Segundo consta no banco de dados da Receita Federal, figuram como sócios Naskar os seguintes empreendedores: José Maurício Volpato, Marcelo Liranco Arantes e Rogério Vieira.
Mais conhecido como Maurício Jahu, José é um ex-atleta de vôlei. Fez carreira no Clube Atlético Pirelli, de São Paulo, e teve passagens pela Seleção Brasileira na década de 1980. Maurício Jahu ainda foi treinador e modelo antes de decolar em uma segunda profissão, a de apresentador de TV. Trabalhou na ESPN Brasil durante cerca de 20 anos
Marcelo Liranco Arantes, por sua vez, é sócio-administrador de outras três empresas, além da fintech. Já Rogério Vieira comanda duas companhias do ramo financeiro.
Rogério Vieira, Marcelo Arantes e Maurício Jahu têm preocupado os clientes que depositaram dinheiro e confiança na Naskar. Desde a última terça-feira (5/5), o trio não responde os investidores, que passaram a ter sensação de que houve um golpe.
Em nota emitida na manhã de sexta-feira (8/5), a Naskar informou ter sofrido uma “perda na base de dados” e prometeu normalização a partir da próxima semana.
“Após uma perda em nossa base de dados, estamos conduzindo um processo cuidadoso de auditoria. As equipes técnicas seguem atuando na estruturação das informações, e o processo de circularização junto aos clientes terá início ao longo da próxima semana”, informou a empresa.
“Minha vida acabou”
Para se ter ideia da gravidade da situação, um único empresário tinha R$ 3,9 milhões investidos na Naskar; um bancário possuía R$ 2,3 milhões aplicados; um aposentado aportou R$ 1 milhão. Todos os exemplos são de moradores do Distrito Federal.
O site Reclame Aqui tem reunido, desde quinta-feira (7/5), diversas reclamações por partes de clientes. “Estou sem acesso ao app, não recebi rendimentos e não tenho nenhuma reclamação”, escreveu uma mulher. “A Naskar Holding bloqueou acesso ao app. Tenho valores investidos e não consigo resgatar”, escreveu um investidor.
Um dos moradores da capital que têm dinheiro guardado na Naskar e está aflito para saber o que aconteceu é o empresário Wesley Albuquerque, 40 anos. Além de ter grande investimento na fintech, ele fazia captação de pessoas para a empresa por meio de um contrato de prestação de serviços, o que tem redobrado a preocupação.
Wesley já captou 135 clientes para a Naskar. Somado, o montante investido pelas pessoas captadas pelo empresário chega a R$ 47 milhões.
“Tenho uma empresa focada em consórcios. Seis anos atrás, a Naskar entrou em contato conosco, apresentou a empresa e foi provando que era digna de confiança”, relembra o empresário brasiliense. “A nossa confiança foi aumentando cada vez mais a ponto de eu deixar todo o meu dinheiro lá”, comenta.
Conquistado pelos altos retornos e pela credibilidade da Naskar à época, Wesley sugeriu que a própria mãe virasse cliente. “Minha mãe vendeu uma casa, e recomendei a ela que investisse lá. Falei: ‘Olha, mãe, meu dinheiro está todo lá, vai ser bom para você investir e ficar usando o retorno como aposentadoria’. Agora, com esse sumiço, minha mãe não tem reserva, não tem dinheiro mensal, não tem aposentadoria, não tem nada.”
Tenso e sem esperanças, Wesley tenta dimensionar o quão afetado está com a situação. “Estou me mantendo à base de medicamentos desde segunda-feira (4/5). Já chorei. Minha mulher não dorme. Estou quebrado, minha vida acabou.”
“A gente quer uma resposta deles. É muita gente sendo prejudicada, diversos escritórios no Brasil representam a Naskar. E 100% do investimento de muitos clientes está na mão deles.”






