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Um suboficial da Força Aérea Brasileira (FAB) é investigado por suspeita de abusar sexualmente da própria filha, atualmente com 11 anos de idade. Conforme consta em boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Brasília, o homem teria acariciado e mordido as partes íntimas da menina. Os atos libidinosos supostamente aconteceram entre 2017 e junho de 2018 no apartamento dele, na Asa Sul.

Como medida protetiva, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) determinou, em 10 de julho, o afastamento do pai por 6 meses. Ele deve manter uma distância mínima de 300 metros, além de ser proibido de entrar em contato com ela por qualquer meio de comunicação. O homem vai depor na delegacia na próxima terça-feira (11/12).

Segundo a denúncia, os abusos teriam começado há mais de um ano, mas a criança não entendia ser vítima de violência sexual. Supostamente, os atos libidinosos eram cometidos em momentos quando o militar ficava sozinho com a filha. De acordo com os relatos, ela só teve consciência dos abusos quando viu uma cena de novela na qual a personagem relatava experiência semelhante. A menina se emocionou, começou a chorar e revelou para o irmão o motivo do sofrimento.

O rapaz, de 20 anos, procurou a mãe aos prantos após ouvir as confidências. A criança teria chegado a pedir desculpas à família por não haver contado sobre isso antes e confirmou que foi violentada em várias ocasiões.

 

Na ação julgada no TJDFT, há a informação de que, no início do casamento, o militar supostamente confessou à ex-mulher ter tocado as genitálias de outras duas crianças, inclusive de uma sobrinha. As acusações não prosperaram porque nenhuma das vítimas denunciou os ataques. O homem, à época, foi perdoado pela esposa.

Medida protetiva
O casal, que tem três filhos, está separado há cinco anos. O pai tinha direito a visitas periódicas. Após o caso vir à tona, em 7 de julho de 2018, a mãe pediu à Justiça uma medida protetiva para a caçula contra o ex-marido.

“A conduta noticiada no boletim de ocorrência permite concluir que a requerente, dada a pouca idade, é vulnerável frente ao suposto agressor e carece de necessária proteção, até adequada apuração dos fatos, para evitar ocorrência de graves prejuízos de ordem física e emocional que podem advir em caso de reiteração de condutas como aquelas expostas por ocasião do registro da ocorrência”, disse a juíza Jorgina de Oliveira Carneiro e Silva Rosa, do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Brasília, no despacho.

De acordo com a decisão, o descumprimento de qualquer das medidas determinadas poderá acarretar na prisão do acusado. A investigação está em fase final na DPCA e corre em segredo de Justiça. Nenhuma autoridade policial ou judiciária se manifestou.

Outro lado
Procurada pelo Metrópoles, a FAB informou que colabora com a investigação e aguarda seu término para adotar as ações cabíveis. A reportagem também se comunicou com o advogado do acusado, mas ele disse que não comentaria o caso. O defensor não quis passar o contato do militar, mas solicitou os contatos da reportagem com a promessa de repassá-los ao cliente, caso ele quisesse se manifestar. Até a noite dessa quinta-feira (6/12), no entanto, não houve retorno.