PCDF: bando forjava acidentes de trânsito para faturar dinheiro de seguro

Os criminosos compravam carros batidos ou em leilões e faziam os reparos necessários. Em seguida, aderiam a seguros e destruíam os veículos

atualizado 29/09/2020 11:17

carro batidoReprodução

Articulada e com funções estrategicamente definidas entre seus integrantes, uma associação criminosa é alvo de operação da Polícia Civil do Distrito Federal, nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (29/9). Os suspeitos forjavam acidentes de trânsito, sempre com perda total do veículo, e assim recebiam o dinheiro do seguro de forma fraudulenta.

São cumpridos 10 mandados de busca e apreensão pela Divisão de Repressão a Roubos e Furtos (DRF), da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), no âmbito da Operação Total Loss. O prejuízo provocando pelo bando ultrapassa os R$ 100 mil. Foram apreendidos R$ 10 mil na casa de um dos alvo, no Guará, e quatro carros.

De acordo com as apurações, o grupo adquiria veículos por valores irrisórios, em leilões ou então batidos. Depois, recuperavam os carros em oficinas que pertencem a outros integrantes da quadrilha. Em geral, os estabelecimentos são especializados em lanternagem, funilaria e pintura de veículos.

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Detalhistas, os criminosos deixavam os carros com aspecto de novos para enganar as seguradoras no momento de assinatura das apólices de seguros. Semanas depois, o veículo segurado se envolvia em acidente onde sofria perda total. Quase sempre, as colisões ensaiadas atingiam sempre o mesmo local, as colunas centrais dos carros. O ponto, quando atingido com violência, provoca a perda total do veículo.

Os investigadores da DRF identificaram que pelo menos 10 pessoas se revezavam nos golpes. Os suspeitos figuravam, em várias oportunidades, na condição de condutor, segurado, recebedor do prêmio (pagamento do sinistro) e terceiro envolvido. Apenas um dos alvo da operação teria comprado seis carros, sendo que três deles já teriam sido destruídos em acidentes propositais.

Veja fotos dos carros destruídos:

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Locais ermos

Ainda conforme as investigações, no momento de colocar as fraudes em prática, a associação criminosa escolhia locais ermos, pouco iluminados e com baixo fluxo de pessoas para provocar os acidentes e deixar os carros destruídos. Os investigadores identificaram que o Polo JK, em Santa Maria, era o lugar preferido para o bando simular os acidentes.

Por ser um local deserto durante a madrugada e sem iluminação pública, as vias da região eram aproveitadas pelo bando para forjar as colisões. “Na dúvida se o acidente foi ou não forjado, a seguradora paga o prêmio. Raramente a suspeita é comunicada à polícia. A nossa orientação é no sentido de que a informação chegue à polícia, como aconteceu agora. Até porque são fraudes de fácil apuração, que deixam os mais variados vestígios”, explicou o diretor da DRF, delegado Fernando Cocito.

O delegado ressaltou que as seguradoras, sem desconfiar da fraude, honravam os contratos indenizando integralmente os criminosos. “Além de liquidar o saldo devedor do financiamento do veículo, uma das empresas, em pelo menos uma das fraudes, também chegou a quitar o IPVA, o licenciamento obrigatório e algumas multas. Realizados esses descontos, a seguradora transferiu o valor remanescente para a conta bancária de um dos alvos”, disse Fernando Cocito.

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