PCDF apura fraude na bilheteria de jogos de Corinthians e Vasco

As partidas foram produzidas pela empresa do ex-jogador do Fluminense e da Seleção Brasileira Roni Santos

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 25/05/2019 21:07

A Polícia Civil do Distrito Federal apura indícios de fraude na bilheteria das disputas entre Vasco e Fluminense, no Estádio Mané Garrincha, e Corinthians contra Ferroviário, no Paraná. As partidas, que ocorreram em fevereiro deste ano, foram produzidas pela empresa Roni7 Consultoria do ex-jogador do Fluminense e da Seleção Brasileira Roniéliton Pereira Santos, 42 anos, ou Roni. O empresário foi preso na tarde deste sábado (25/05/2019).

A operação batizada de Episkiros, mobilizou mais de 150 policiais e ocorreu durante a partida entre Palmeiras e Botafogo. Além de Roni, outras seis pessoas foram presas. O Metrópoles apurou que os alvos são Leandro Brito, sócio de Roni, os funcionários Rogério Meireles, responsável pelo financeiro da produtora e um colaborador identificado como Caio. O presidente da Federação de Futebol do Distrito Federal, Daniel Vasconcelo também está entre os presos.

A investigação teve início há um ano e meio e é conduzida pela Divisão de Repressão aos Crimes Contra a Ordem Tributária (Dicot). “Detectamos que um grupo de uma empresa de eventos trazia jogos para Brasília e outros estados. Eles sonegavam impostos através da arrecadação na bilheteria”, explicou o delegado Leonardo de Castro, chefe da Coordenação Especial de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado, aos Crimes Contra a Administração Pública e aos Crimes Contra a Ordem Tributária (Cecor), a qual a Dicot pertence.

“Nesta tarde, aproveitamos a ocasião do jogo, que é onde a fraude ocorre. Prendemos seis pessoas no estádio. Outro investigado foi detido em um endereço do DF. O objetivo da operação é levantar provas para comprovar a materialidade do crime”, completou o delegado.

Os policiais cumpriram sete mandados de prisão temporária e 19 de busca e apreensão expedidos pela 15ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Distrito Federal.

Metrópoles flagrou o momento em que as equipes da Polícia Civil chegaram ao estádio, entre as 15h30 e as 15h45, antes da partida prevista para as 16h. Três carros pretos descaracterizados tiveram acesso à arena pela entrada de serviço, de frente para o autódromo.

Os detidos estavam em áreas VIPs do estádio. Foram presos enquanto a bola rolava em campo e levados para delegacia da arena, que fica no segundo subsolo. No momento da prisão, Roni estava acompanhado dos seguranças, que ficaram posicionados na porta da unidade policial. Um dos presos tentou fugir, mas foi pego logo depois.

 

Roni é o principal operador das partidas de futebol dos clubes cariocas fora do estado do Rio de Janeiro. Segundo a PCDF, a investigação aponta indícios de ocorrência dos crimes de estelionato majorado, associação criminosa, falsidade ideológica e sonegação fiscal.

Ainda segundo a Polícia Civil do DF, os suspeitos elaboravam os boletins financeiros (borderô) inserindo dados falsos. Informavam ainda a arrecadação a menor, conseguindo com isso pagar menos impostos e, no caso do Distrito Federal, valor inferior de aluguel do estádio, uma vez que tanto os tributos quanto a locação são calculados com base na arrecadação total.

Buscas
Os mandados foram cumpridos na casa dos investigados, em empresas, na Federação Brasiliense de Futebol e no Estádio Mané Garrincha. Os locais estão distribuídos em Brasília, Luziânia (GO) e Goiânia (GO). Na capital goiana, a Polícia Civil foi até o escritório de Roni neste sábado (25/05/2019).

De acordo com a PCDF, as buscas visam “delinear eventuais condutas criminosas apuradas no inquérito, bem como elucidar, de maneira eficiente e precisa, a existência ou não de vínculo entre os investigados”. A polícia suspeita da participação de outras pessoas no suposto esquema.

A operação teve o apoio da Polícia Civil de Goiás. Segundo o delegado do estado vizinho, Webert Leonardo, foram cumpridos mandados de buscas e apreensão em seis residências e escritórios de Goiânia, inclusive na casa do ex-jogador da seleção brasileira Roniéliton Pereira Santos.

Roni mora no Condomínio Aldeia do Vale, um dos mais nobres da cidade. Do local, a polícia retirou ao menos três caixas de documentos. Além de Roni e Leandro Brito, outros dois funcionários da empresa R7 também estão entre detidos.

O nome da operação — Episkiros — é uma referência ao jogo com bola criado na Grécia antiga que pode ter sido a origem do futebol moderno, bem como pelo fato de a palavra episkiro poder significar jogo enganoso.

Mercado milionário
O ex-jogador Roniéliton Pereira Santos é dono da empresa Roni7 Consultoria, fundada em 2012. O empresário costuma lucrar milhões com as partidas. Seu sócio, Leandro Brito, também foi preso. Ele é dono do site Meu Bilhete.

Em 2016, Roni foi o responsável pela produção de cinco dos oito jogos das quatro grande equipes cariocas. As partidas movimentaram R$ 7 milhões. No ano anterior, ele desembolsou R$ 1 milhão para oferecer um voo fretado e tentar convencer a diretoria do Cruzeiro a tirar o jogo da primeira rodada do Campeonato Brasileiro de Brasília.

Inicialmente, a empresa era voltada para agenciar jovens jogadores, mas o contato com as grandes clubes fez com que Roni expandisse os negócios. A produtora passou a pagar as cotas dos clubes, as taxas das federações e custos como viagens, seguranças e funcionários envolvidos nos jogos.

Roni se destacou em clubes como o Fluminense e o Rubin Kazan da Rússia. Atuou em cinco partidas pela seleção do Brasil de Vanderlei Luxemburgo, inclusive a vice-campeã na Copa das Confederações do México/1999.

Procurada, a Federação de Futebol do Distrito Federal ainda não se manifestou, bem como a assessoria de Roni e do site Meu Bilhete.

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