PCC: preso na África ganhou R$ 200 mi para resgatar Marcola no DF

Gilberto Aparecido, o Fuminho, estava em Moçambique. Ele é um dos principais nomes da facção criminosa liderada por Marcola, detido no DF

atualizado 13/04/2020 19:37

Ao lado de policiais armados com fuzis, Marcola, de camisa azul usa algemas durante escoltaRafaela Felicciano/Metrópoles

Preso pela Polícia Federal (PF) em Moçambique, na África, nesta segunda-feira (13/04), um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, recebeu R$ 200 milhões do comandante da facção criminosa, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, para que o traficante ajudasse o chefe a fugir da Penitenciária Federal de Brasília.

Os planos de tirar Marcola da penitenciária de segurança máxima da capital do país foram revelados pelo Metrópoles e começaram assim que o líder do PCC foi transferido de São Paulo para Brasília, em fevereiro do ano passado.

Em março de 2019, com a chegada de Marcola a Brasília, os faccionados do PCC se mobilizaram em uma tentativa de viabilizar a empreitada no Distrito Federal.

Anotações captadas por autoridades da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (SP) indicam que os criminosos estavam apenas aguardando o aval de Fuminho. Ele é um dos principais nomes do PCC que ainda estava solto.

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Segundo os informes captados, após a saída de Marcola da Penitenciária de Presidente Venceslau, as funções estratégicas do grupo dentro do sistema carcerário foram divididas entre três internos: Márcio Domingos Ramos, Valcedi Francisco da Costa e Wilber de Jesus Marces.

As investigações apontam que o trio estava alinhado com Fuminho para orquestrar o resgate. Algumas funções já teriam sido definidas, como o responsável pela seleção de integrantes com alto nível de conhecimento militar e de armamentos.

O PCC chegou a sobrevoar a Penitenciária Federal de Brasília com o uso de drones. O artifício é comumente usado pela facção para mapear e traçar estratégias de ataque.

Exército

Em dezembro do ano passado, a ação de criminosos que pretendiam libertar o chefe da facção foi revelada pelo Metrópoles em primeira mão. A suspeita fez com que os ministérios da Justiça e da Defesa fechassem um acordo para intensificar a segurança do complexo, localizado em São Sebastião.

Militares do Exército Brasileiro foram direcionados para a penitenciária de segurança máxima, onde ficaram de prontidão, com carros blindados.

Os planos de resgate de Marcola foram frustrados, mas Fuminho permanecia foragido até esta segunda-feira.

Prisão de Fuminho

Fuminho era procurado pela Justiça há 21 anos. A Polícia Federal não divulgou maiores detalhes da prisão, que contou com o apoio do Itamaraty.

Considerado o maior fornecedor de cocaína a uma facção com atuação em todo o Brasil, o traficante era o responsável pelo envio de toneladas da droga para diversos países do mundo.

Ele foi autuado por crimes de tráfico de drogas, contra o patrimônio e de financiamento para fuga de líderes de organizações criminosas.

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