A jornalista Patricia Lélis, de 23 anos, registrou um boletim de ocorrência na última sexta-feira (14/7) contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC). A jovem alega ser ex-namorada do parlamentar e o denuncia por injúrias e ameaças. Segundo Patrícia, ela teria como prova mensagens recebidas do celular do próprio político. O caso está na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) do Distrito Federal.

“Como é peculiar aos políticos moralistas, ele tentou negar e sair por cima. Porém, se doeu tanto que fez um vídeo resposta! Ocorre que, se nas postagens públicas o deputado agiu como bom moço, desdenhando e negando tudo […], nas mensagens privadas o comportamento foi o de sempre: tentar abafar o caso com grosserias machistas, injúrias diversas e várias ameaças com o intuito de tentar me intimidar ou calar minha voz”, escreveu a jornalista no Instagram, ao postar uma imagem da ocorrência.

A confusão começou em 11 de julho. Em uma imagem divulgada nas redes sociais, o parlamentar teria publicado em sua página pessoal do Facebook que uma ex-namorada foi vista em uma “balada LGBT acompanhada de um médico cubano, usando uma roupa vulgar”.

Patrícia teria respondido que a ex-namorada a qual ele se referia era ela. Além disso, a jornalista afirmou que passou três anos e oito meses com Bolsonaro em um relacionamento abusivo. Também alfinetou o deputado pedindo para ele parar de ligar dizendo que “está com saudade”.

Olá pessoas. Infelizmente ainda tenho que voltar aqui para tratar do assunto “Eduardo Bolsonaro”. Pois é, como previsto , após a polêmica do dia 11/07/17, voltei a sofrer ataques machistas de haters, e de pessoas simpatizantes do então deputado, enfim, fascistas seguidores de Eduardo e sua turma, e como se não bastasse: Uma ameaça direta do próprio. Ocorreram desde Injúrias pelas redes, ameaças e até perseguições pessoais em minha academia e local de estudo, que colocaram não só minha integridade física em risco ,mas que me levaram a sair de Brasília por uns dias. Como é peculiar aos políticos moralistas, ele tentou negar e, sair por cima ,porém, se doeu tanto, que fez um vídeo resposta! Ocorre que, se nas postagens públicas o Deputado agiu como bom moço, desdenhando e negando tudo , como de costume eles nunca se responsabilizam por nada, e muito menos assumem a culpa de algo. Porém nas mensagens privadas o comportamento foi o de sempre: Tentar abafar o caso com grosserias machistas, injúrias diversas e várias ameaças com o intuito de tentar me intimidar ou calar minha voz. Bem, eu já havia dito que sou forte, livre e que não tenho medo dele e de mais ninguém. E sim, eu vou falar ao mundo tudo que uma turma moralista é capaz de fazer as pessoas. Quando a denuncia de um abuso envolvendo um então pastor e deputado do mesmo partido veio a publico, diversas pessoas me questionaram o motivo ao qual eu não denunciei logo. Quem fala isso, não tem a noção do quanto é difícil denunciar um agressor, ainda mais se esse agressor se encontrar “protegido” por pessoas que os defendem com unhas e dentes, acreditando que realmente são donos da boa moral. Porém desta vez, resolvi agir de forma diferente, pois infelizmente já estou aprendendo como as coisas funcionam com esse tipo de pessoa. Procurei a polícia, mostrei as mensagens de ameaça que partiram do celular pessoal do Deputado Eduardo Bolsonaro, e registrei o boletim e ocorrência na Delegacia da Mulher. Como é de se esperar, logicamente o Deputado vai negar, dizer que é invenção….

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No dia seguinte, Eduardo Bolsonaro divulgou um vídeo defendendo que tudo não passa de uma mentira, uma montagem. Ele também ressaltou que a jovem chegou a dizer, no passado, que engravidou dele, mas que abortou. Confira:

Procurada, a assessoria do deputado afirmou que Patrícia “não precisa de resposta e, sim, de tratamento”. A reportagem não conseguiu contato com a jornalista.

Caso Felicciano
Em abril, o Ministério Público denunciou Patrícia por falsa comunicação de crime e extorsão de Talma Bauer, então chefe do gabinete do deputado Marco Felicciano (PSC-SP).

De acordo com a Polícia Civil de São Paulo, além da suspeita de denunciação caluniosa e extorsão, Patrícia acabou investigada por ameaça depois de aparecer numa gravação, obtida pela polícia, ordenando que Talma Bauer matasse um amigo dela. O assessor, que também é policial civil aposentado, se recusou a obedecer Patrícia.

Segundo o delegado, Bauer admitiu em depoimento que pagou R$ 20 mil a um amigo de Patrícia para que, em troca, ela parasse de acusar o deputado de ter tentado estuprá-la em Brasília. Essa versão foi confirmada à polícia pelo rapaz que recebeu o dinheiro, que acabou apreendido. A polícia paulista apura a suspeita de que a jornalista teria cobrado R$ 300 mil para ficar em silêncio.

Se somadas, as penas dos crimes de denunciação caluniosa e extorsão podem variar de seis a 20 anos de prisão. Na ocasião, a defesa de Lélis informou que o indiciamento foi precipitado porque nem todas as testemunhas foram ouvidas e nem as provas da jornalista apresentadas.