Pais de alunos do Alub protestam na unidade de Ceilândia

Com o prédio do colégio fechado, os responsáveis não conseguem ter acesso à documentação necessária

atualizado 18/10/2019 19:43

André Borges/Esp. Metrópoles

Temendo que os filhos percam o ano escolar, pais de alunos da Rede Alub se reuniram em frente à unidade de ensino de Ceilândia, na tarde desta sexta-feira (18/10/2019), para protestar contra a falta de transparência da instituição com os estudantes. Com o prédio do colégio fechado, os responsáveis reclamam não conseguir pegar os documentos dos alunos para fazer transferência para outros colégios.

A instituição educacional enfrenta grave crise financeira e já atrasou o salário dos professores em pelo menos três meses, conforme o Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares do Ensino (Sinproep). O impasse levou os educadores a paralisar as atividades desde essa segunda-feira (14/10/2019).

Em comunicado enviado aos responsáveis nesta sexta, ao qual o Metrópoles teve acesso, o Alub diz que as atividades da secretaria voltarão a funcionar nesta segunda-feira (21/10/2019). Os pais, porém, contam que os prazos são frequentemente prorrogados e que já não sabem quando poderão ter acesso aos documentos dos filhos.

“Eles não querem liberar a documentação, porque aí não precisaríamos mais pagar o resto do ano. Eles não abrem, não entregam e ficam empurrando prazos com a barriga”, reclamou Simone Freire, 38 anos, mãe de dois alunos da instituição.

“Quando a bomba estourou, vieram comentar que nos dariam uma solução até quarta-feira [16/10/2019]. Mas não falaram nada, e agora ficam só adiando”, disse outra responsável, Adriana Rocha, 38 anos.

Perda de conteúdo

Ricardo Bernardes, 44, é pai de um estudante de 13 anos da unidade. Sem ter posicionamentos claros do Alub, ele diz que já procura matricular o filho em outra instituição, portando apenas o boletim do estudante.

“Tem colégios que estão tentando nos ajudar e oferecendo para irmos para lá com os boletins dos alunos. Então, é a forma que encontramos de já garantir o próximo ano dos nossos filhos”, afirmou.

Mãe de uma aluna do primeiro ano do ensino médio, Regina Cerqueira, 47, se diz preocupada com a prova do PAS (Programa de Avaliação Seriada, da Universidade de Brasília) que a filha fará ao final do ano. “Desde agosto ela não está tendo aula direito. Ela vai fazer prova no final do ano e está perdendo muito conteúdo.”

Regina, que trabalhou por 25 anos na Secretaria de Educação, considera que a escola está usando a paralisação como justificativa para reter os documentos dos alunos. “Isso é documento nosso, eles não podem fazer isso. Estão nos impedindo de pegar os documentos, porque estão em greve. Mas não podem fazer isso”, protestou.

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Crise financeira

Uma ata da audiência pública realizada em 11 de julho, documento ao qual o Metrópoles teve acesso, revela que o Alub estaria endividado com o Banco Bradesco, e os salários dos meses de maio, junho e julho deste ano estariam atrasados, além do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), não recolhido desde setembro de 2018.

Uma das medidas tomadas foi o bloqueio imediato de uma quantia de R$ 2,7 milhões, que corresponde aos salários atrasados de maio e junho, para garantir o pagamento aos 523 funcionários. Segundo o diretor do Sinproep, Rodrigo de Paula, havia um acordo para parcelamento do FGTS. O diretor afirma que ele não foi cumprido.

Os problemas financeiros da rede começaram quando o empresário carioca Arthur Mário Pinheiro Machado, dono do Alub, foi preso pela Polícia Federal no dia 12 de abril de 2018, no âmbito da Operação Rizoma, um desdobramento da Lava Jato. A ação mirou em crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção por meio de fraudes que geraram prejuízos aos fundos de pensão.

Machado possui várias empresas e holdings no país. Uma delas, a Educar Holding, adquiriu em outubro de 2017 o Alub, conhecido grupo educacional do DF. O empresário assumiu também a presidência da instituição, desde então.

Propina

De acordo com informações da força-tarefa da Lava Jato, o esquema gerou pelo menos R$ 20 milhões em propinas. Machado seria o cabeça, e a prática – que vigora ao menos desde 2011, segundo o Ministério Público Federal – foi descoberta em colaboração premiada espontânea.

O executivo seria ligado ao lobista Milton de Oliveira Lyra Filho, também alvo de mandado de prisão. Ele é tido como operador do MDB no desfalque do Postalis e nega todas as acusações.

À reportagem, Rodrigo de Paula afirmou que, em uma tentativa de reverter a situação, os gestores do Alub chegaram a colocar a rede à venda, mas não tiveram sucesso. Em agosto, professores da escola na 913 Sul cruzaram os braços.

Na época, uma educadora que preferiu não se identificar confirmou que o pagamento dos salários de maio e junho estava atrasado. “Paramos na unidade da 913 Norte para ver se damos um choque de realidade. Mas a ideia é fazer o movimento em outros colégios da rede também”, disse.

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