Pacientes relatam cancelamentos de exames durante greve no HUB
Paciente de 70 anos teve cateterismo cancelado nesta quinta-feira (2/4); decisão judicial diz que categoria precisa manter 80% do efetivo
atualizado
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A paciente Adelice Silva Araújo, de 70 anos, teve um exame de cateterismo cancelado na manhã desta quinta-feira (2/4) no Hospital Universitário de Brasília (HUB). O cancelamento ocorre em meio à greve de trabalhadores da rede de hospitais universitários.
Segundo o filho da paciente, o procedimento havia sido marcado com urgência após diagnóstico de isquemia do miocárdio, condição caracterizada pela redução do fluxo de sangue para o coração. A família chegou à unidade antes das 7h, horário agendado para o exame, mas foi informada de que o atendimento não seria realizado.
“Minha mãe tem 70 anos e precisava fazer um cateterismo com urgência após diagnóstico de isquemia no coração. Chegamos ao hospital em jejum para o exame marcado às 7h, mas fomos informados que não seria realizado por causa da greve. Voltamos para casa sem atendimento e sem uma nova data”, relatou.
De acordo com ele, após receber a informação sobre o cancelamento, a família procurou atendimento na ouvidoria e na administração do hospital, mas não conseguiu esclarecimentos, nem previsão para a realização do procedimento.
“A única orientação foi aguardar em casa até que o exame seja remarcado”, disse.
Segundo o relato, outras pessoas que aguardavam atendimento também deixaram a unidade sem realizar exames ou consultas.
Em nota ao Metrópoles, a HUB informou que os atendimentos devem ser mantidos com pelo menos 80% do efetivo, conforme determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST). A decisão prevê multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento da escala mínima de trabalhadores.
A assessoria do hospital afirmou que a manhã desta quinta-feira foi de organização interna, o que pode ter provocado atrasos nos atendimentos. A unidade informou ainda que não deveria haver cancelamentos de consultas e exames, e que eventuais descumprimentos da escala mínima podem ser notificados ao sindicato responsável pelo movimento.
A paralisação ocorre após impasse nas negociações do acordo coletivo de yrabalho da categoria. A rede informou que ingressou com pedido de dissídio coletivo junto ao TST para garantir a manutenção dos serviços essenciais à população.
Segundo a assessoria, a determinação de funcionamento com 80% do efetivo deve permanecer até a próxima quarta-feira (8/4), quando está prevista nova reunião no tribunal para dar continuidade às negociações.
Mesmo assim, o hospital orienta que pacientes com consultas ou exames agendados compareçam normalmente à unidade e esclarece que pode haver atrasos pontuais nos atendimentos.
