Órgãos de menino morto após parada cardíaca não poderão ser doados
Diagnosticado com síndrome de Dravet, menino de 9 anos morreu neste domingo de Páscoa (5/4) no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib)
atualizado
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A família de Lorenzo Rosal Cavalcanti Santos Oliveira, 9 anos, menino que morreu após uma parada cardíaca em decorrência da síndrome de Dravet, informou ao Metrópoles que não será possível realizar a doação de órgãos, como haviam planejado inicialmente. Segundo os pais, o estado clínico do menino se agravou durante as tentativas de reanimação, o que comprometeu os órgãos e inviabilizou o procedimento.
Os pais, Eduardo Rosal Cavalcanti Santos, 44 anos, e Eliane de Jesus Oliveira, 40, acompanharam as últimas horas de vida do filho, que morreu neste domingo de Páscoa (5/4), no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib). Ele havia sido reanimado após passar mal em casa, no Guará (DF), no sábado (4/4).
Antes da confirmação da impossibilidade, a mãe chegou a anunciar, nas redes sociais, a intenção de doar os órgãos do filho como forma de manter vivo o legado do menino.
“Saber que uma parte de você vai salvar outras vidas só mostra para nós o quanto você era luz. Quando decidimos doar seus órgãos, sabíamos que, assim, você viveria para sempre”, escreveu.
No entanto, segundo a família, os médicos explicaram que Lorenzo não conseguiu ser estabilizado por tempo suficiente para atender aos protocolos exigidos para a doação.
“Infelizmente, devido às muitas tentativas de estabilizá-lo, não foi possível. Muitos órgãos foram comprometidos e houve sangramento. Ele não permaneceu estável o tempo necessário para a retirada”, relatou o pai.
O corpo de Lorenzo será velado na Capela 1 do Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul. A cerimônia está prevista para começar às 14h. O sepultamento será às 16h.
A crise
Lorenzo passou mal na manhã de sábado (4/4), por volta das 7h30, enquanto estava em casa, no Guará. Ele foi encontrado pela mãe em crise, gelado e com a boca roxa.
A família acionou o socorro, e o pai, Eduardo, iniciou imediatamente as manobras de reanimação, orientado por telefone pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Cerca de seis minutos depois, equipes do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF) chegaram ao local e assumiram o atendimento. O menino foi reanimado, intubado e recebeu suporte com oxigênio ainda na residência.
Após o atendimento inicial, Lorenzo foi levado ao Hmib, onde deu entrada na sala vermelha após sofrer uma nova parada respiratória. Os médicos realizaram um procedimento no pescoço para garantir acesso às medicações e conseguiram estabilizá-lo momentaneamente.
Em seguida, ele foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Diante da gravidade do quadro, a equipe médica autorizou que os pais permanecessem ao lado do menino durante a internação.
Despedida
Sem evolução clínica e com o estado considerado irreversível, Lorenzo apresentou piora ao longo da madrugada. Na manhã de domingo, por volta das 7h, sofreu mais uma parada respiratória e não resistiu.
“A gente ficou ao lado dele o tempo todo, pedindo um milagre para tê-lo de volta”, disse Eliane.
Antes da confirmação da morte, os pais se despediram do filho. “Falei que ele era meu herói, um presente de Deus, que veio e partiu na Páscoa”, relatou o pai.
O casal passou a madrugada ao lado do menino, em um momento marcado por carinho e despedida. “Foi o presente mais lindo que Deus nos deu. Um ser de luz que vai continuar iluminando”, afirmou a mãe.
A família também agradeceu o empenho dos profissionais envolvidos no atendimento. “Ele era luz. Não é fácil aceitar, mas foi a vontade de Deus”, declarou Eliane.
Síndrome rara
Lorenzo foi diagnosticado ainda na infância com a síndrome de Dravet, uma condição genética rara caracterizada por crises epilépticas severas, com risco de parada respiratória ou cardíaca.
Segundo a mãe, o menino começou a apresentar crises após completar um ano de vida. O diagnóstico levou cerca de um ano e meio para ser confirmado, após consulta no Hospital da Criança de Brasília (HCB).
“É uma doença muito rara. Ele tinha muitas convulsões, chegava a ter 300, 400. Lutamos muito até descobrir o que ele tinha”, contou Eliane.
De acordo com a família, Lorenzo estava há cerca de três anos sem apresentar intercorrências graves. A suspeita é de que ele tenha sofrido uma crise intensa, seguida de parada cardíaca.
“A gente acredita que foi uma crise muito forte. Abalou muito, porque estávamos lutando e abraçando a causa dessa síndrome, que ainda é pouco conhecida”, lamentou a mãe.










