Ônibus e metrô: vale-transporte recarregado mantém tarifa antiga

Novos valores entraram em vigor nesta segunda-feira. Presidência da CLDF e oposição farão reunião para discutir o aumento

Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 13/01/2020 11:55

O reajuste nas passagens de ônibus e metrô no Distrito Federal começou a valer nesta segunda-feira (13/01/2020). Para os usuários que contam com o cartão vale-transporte e possuíam crédito carregado antes do aumento, uma preocupação a menos: o preço antigo tem validade por 30 dias. Já quem possui o cartão do Bilhete Único pagará o valor da nova tarifa, a da integração (R$ 5,50).

Também nesta segunda-feira (13/01/2020), às 15h30, o presidente em exercício da Câmara Legislativa (CLDF), Rodrigo Delmasso (Republicanos), se reunirá com deputados da oposição. O objetivo é debater projeto de decreto legislativo (PDL) que pede o restabelecimento dos valores nas passagens do transporte público da capital.

O aumento foi autorizado em decreto assinado pelo governador em exercício do DF, Paco Britto (Avante), nessa quinta-feira (09/01/2020), e publicado no Diário Oficial do DF (DODF) de sexta (10/01/2020).

O reajuste foi de 10% em todas as tarifas. Ou seja, a passagem de R$ 2,50 passa para R$ 2,75; a de R$ 3,50 vai para R$ 3,85; e a de R$ 5 sobe para R$ 5,50. Os valores valem para os ônibus e o metrô.

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Conversa com patrões

Empregada doméstica, Elessandra Morais Souza, 47 anos, sai de São Sebastião para o Jardim Botânico, onde trabalha, todos os dias da semana. Tendo que pagar passagem agora a R$ 3,85, ela pretende, nesta segunda, negociar com os patrões um aumento no auxílio transporte que recebe.

“É um absurdo, porque a gente paga mais e não tem mais conforto. Pegamos os ônibus lotados, porque faltam novos ônibus. Não temos retorno algum”, reclamou.

Francisco Gomes de Souza, 54, descobriu nesta segunda-feira (13/01/2020) que teria que pagar R$ 1,70 a mais do que gasta diariamente para se deslocar até o trabalho durante a semana.

“Eu pego um ônibus do Itapoã para a Rodoviária [passagem custa agora R$ 3,85] e outro da Rodoviária para Vicente Pires [R$ 5,50]. Mas vi, agora, que está mais caro”, contou o mestre de obra.

Com a notícia que teve nesta manhã, ele calcula que os centavos a mais que gastará diariamente vão tirar cerca de R$ 35 todo mês do orçamento. “Sou autônomo. Então, sai tudo do meu bolso”, disse. “A gente só paga mais mesmo, porque os ônibus são os mesmos, continua tudo a mesma coisa”, completou Francisco.

“Estado caótico”

A usuária do transporte público Rosenilde Martin Pereira, 43, faz o mesmo trajeto diário que Francisco e, portanto, terá os mesmos gastos. Para a empregada doméstica, o reajuste, com o estado “caótico” dos ônibus na capital, não tem justificativa”.

“É muito precário o nosso transporte público, ruim mesmo. Estou muito irritada [com o reajuste], não concordo”, comentou. “É melhor abaixar e deixar como está do que falar que vai melhorar, aumentar o preço e não mudar nada”, considerou Rosenilde.

A auxiliar de serviços gerais Cátia Rodrigues, 40, pega ônibus e metrô para sair de casa, no Paranoá, e ir para o trabalho, em Águas Claras, todos os dias da semana. Pagando duas passagens de R$ 5,50, ao fim do mês, ela precisará desembolsar, aproximadamente, R$ 40 a mais.

“Já falei sobre isso na sexta-feira [10/01/2020] com a minha patroa. Vou precisar desse aumento, porque faz diferença”, afirmou. “A gente espera que melhore o transporte agora. Falaram que mudaria, então, temos que esperar para ver”, completou ela.

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