O longo histórico de crimes do piloto que mandou jovem para a UTI
Pessoas que reconheceram Pedro nas reportagens ou se sentiram encorajadas a procurar a polícia passaram a relatar episódios anteriores
atualizado
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O soco que derrubou um adolescente de 16 anos, levando-o à UTI, foi apenas o episódio mais recente envolvendo o ex-piloto da Fórmula Delta Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos. Com a repercussão do caso, vieram à tona ao menos outras três ocorrências policiais no Distrito Federal: uma agressão denunciada meses antes, uma briga de trânsito e uma denúncia de que ele teria coagido uma adolescente a ingerir bebida alcoólica.
Entenda o caso
- O episódio que levou um adolescente de 16 anos à UTI se tornou o estopim, já que é o único em que Pedro responde por lesão corporal gravíssima.
- A confusão ocorreu na noite de quinta-feira (22/1), na Rua 6 de Vicente Pires.
- Tudo começou quando Pedro arremessou um chiclete mascado em um amigo da vítima.
- Para defender o amigo, o adolescente teria reagido.
- Imagens mostram Pedro desferindo um soco no jovem, que caiu, bateu a cabeça em um carro estacionado e perdeu os sentidos.
- Pedro foi preso em flagrante pela 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires).
- Teve liberdade provisória concedida após audiência de custódia em 24 de janeiro.
- A Justiça arbitrou fiança de R$ 24 mil, paga pelo piloto, que responde ao processo em liberdade.
- Em depoimento à PCDF, Pedro afirmou que não teve intenção de ferir o adolescente e alegou que apenas tentou “apartar uma briga”.
- Pedro Arthur, que competia como piloto da Fórmula Delta, foi desligado da equipe em 26 de janeiro, após a repercussão do caso.
O jovem já possuía uma ocorrência registrada antes do episódio. Em 28 de junho de 2025, na 21ª Delegacia de Polícia (Águas Claras), Pedro teria agredido um jovem em uma praça após desentendimento antigo envolvendo sua então namorada.
Depois de cerca de 10 minutos de conversa, Pedro afirmou que “estava tudo certo”, mas, quando a vítima virou de costas, foi atingida por um soco na costela, caiu e sofreu um golpe de mata-leão. A agressão continuou por aproximadamente cinco minutos até a intervenção de amigos do piloto. O caso segue sob investigação.
Repercussão levou a novas denúncias
Após a repercussão do episódio mais recente, novas denúncias e casos antigos vieram à tona. Pessoas que reconheceram Pedro nas reportagens ou se sentiram encorajadas a procurar a polícia passaram a relatar episódios anteriores de violência.
Uma das denúncias envolve uma adolescente de 17 anos, que afirmou ter sido coagida a ingerir bebida alcoólica durante uma festa no Jockey Club, em junho de 2025. Segundo relato, a jovem era amiga de infância da namorada de Pedro e teria sido pressionada a beber vodca, mesmo se recusando.
Ele teria mandado que outras pessoas segurassem seu braço e a encurralado para forçar a ingestão da bebida. O episódio foi registrado em vídeo e anexado à investigação, podendo se enquadrar no artigo 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com pena de dois a quatro anos de reclusão, além de multa.
A quarta ocorrência envolve uma briga de trânsito em 19 de julho de 2025, em Águas Claras. Segundo o boletim registrado na 21ª DP (Taguatinga Sul), a confusão envolveu três veículos: um Chevrolet Prisma prata, dirigido pela vítima, um Porsche branco e um Fiat Fastback, ocupados por Pedro, a namorada e outros dois homens.
Após o acidente, os ocupantes do Porsche e do Fastback seguiram o motorista até seu condomínio, bloquearam a entrada e impediram seu acesso à residência. Pedro, então, desfere pelo menos três tapas no rosto do homem de 49 anos durante a confusão. No vídeo, ele afirma que agrediu a vítima porque teria ouvido o homem chamar sua namorada de “piriguete”. Em tom de ameaça, Pedro ordena: “Pede desculpas para ela”.
Enquanto a agressão acontece, ele também confronta a pessoa que grava a cena: “O que você tem a ver com isso?”. A namorada do piloto pede para que ele pare com as agressões: “Sem agressão, amor, para”, diz ela. Apesar do pedido, Pedro continua avançando contra a vítima, que segura uma barra de ferro para se defender.
O caso foi registrado como conflito de trânsito com vias de fato, sem lesão corporal.
