Novo caso: antes de morrer, paciente atendido por técnicos recebeu substância na veia

Seis novas mortes ocorridas no Hospital Anchieta são investigadas. PCDF quer saber se os óbitos foram provocados por técnicos de enfermagem

atualizado

metropoles.com

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Técnicos de enfermagem
1 de 1 Técnicos de enfermagem - Foto: Reprodução/Web

O delegado responsável pelos inquéritos que apuram seis novas mortes no Hospital Anchieta, Raphael Seixas, confirmou que uma dessas vítimas teria recebido a mesma substância letal que tirou a vida de outros três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em novembro e dezembro de 2025.

“O que a gente pode confirmar até agora é que uma das seis vítimas recebeu a mesma substância que teria sido aplicada nos outros três pacientes que tiveram suas mortes confirmadas”, disse o investigador.

A pedido da PCDF, o Metrópoles, desde o início do caso, não tem revelado o nome da substância, que seria um medicamento capaz de provocar parada cardíaca se usado de forma incorreta ou ministrado em altas dosagens.

No caso das três primeiras mortes que já estão em fase avançada de investigação, os técnicos presos — Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, Amanda Rodrigues de Sousa, 28, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22 — também chegaram a aplicar desinfetante nos pacientes.

Apesar disso, o delegado-chefe da 12ª DP afirmou não ser possível, ainda, cravar que a substância em questão teria sido a responsável por essa morte. “Temos de aguardar todas as investigações e a perícia do Instituto Médico Legal”, ponderou.

Câmeras de segurança

Os seis novos inquéritos que apuram as novas mortes não terão o uso de câmeras para auxiliar as investigações. Como os casos aconteceram no passado e as denúncias foram posteriores, já não havia mais tais imagens registradas no sistema de segurança.

O delegado afirmou que a ausência de vídeos pode atrapalhar as investigações, mas destaca que outros pontos serão analisados. “A gente vai analisar o que foi prescrito para as vítimas, as amostras de sangue, o acesso à farmácia. As imagens seriam boas, de fato, mas não são o único elemento”, destacou.

Segundo o titular da investigação, foram denunciadas nove mortes no total, sete por familiares dos falecidos e dois anonimanente. Porém, três casos foram descartados pelo fato de os três técnicos de enfermagem investigados não estarem trabalhando quando os óbitos ocorreram.

A Polícia Civil viu indícios parecidos com as mortes dos outros três pacientes, principalmente as datas, que teriam ocorrido dentro de um período próximo.

Os inquéritos recém-instaurados terão também como embasamento o depoimento de todos os parentes das vítimas, médicos, enfermeiros, além do laudo do Instituto Médico Legal (IML).

“Todas as mortes que não foram naturais e ocorreram no período em que os técnicos estavam trabalhando serão investigadas”.

De acordo com a delegacia, os óbitos sob investigação são de pessoas entre 73 e 83 anos. Todos elas tiveram paradas cardiorrespiratórias repentinas, o que fez as famílias procurarem a Polícia Civil.

O que diz o Anchieta

Sobre essas novas mortes suspeitas, o Anchieta se manifestou por meio de nota. leia abaixo:

O Hospital Anchieta reforça que foi o responsável por identificar indícios de comportamentos atípicos relacionados a três óbitos ocorridos na instituição, tendo atuado de forma proativa e transparente ao comunicar imediatamente os fatos às autoridades competentes, contribuindo para o início das investigações.

A instituição permanece à disposição da Polícia Civil e dos órgãos competentes, colaborando de forma integral com as apurações e fornecendo todas as informações necessárias para o completo esclarecimento dos fatos.

Em relação aos casos atualmente em investigação, o Hospital Anchieta assegura que os desfechos clínicos negativos de pacientes sem qualquer vínculo com a atuação dos profissionais atualmente presos não têm relação com falhas na prestação de serviços da instituição. Cabe lembrar que o Hospital Anchieta atua sob rigorosos padrões de qualidade e segurança do paciente, reconhecidos por certificações nacionais e internacionais, que atestam a consistência de seus protocolos assistenciais e processos internos.

A instituição acompanha com atenção o andamento das investigações e confia na condução técnica e criteriosa das autoridades, certo de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos.

Por respeito aos pacientes e às famílias envolvidas, e em conformidade com a legislação vigente, o hospital não comenta casos específicos“.

Relembre o caso

Imagens obtidas pelo Metrópoles mostram o momento em que os técnicos de enfermagem aplicam substâncias que mataram três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). Entre as substâncias utilizadas pelos técnicos para matar as vítimas, está desinfetante.

João Clemente Pereira, 63, Marcos Moreira, 33, e Miranilde Pereira da Silva, 75, tiveram parada cardiorrespiratória na UTI da unidade e faleceram.

Agora, a PCDF investiga, ao todo, 13 mortes ocorridas no local. A corporação deve analisar prontuários e cruzar as informações com escalas médicas da UTI da unidade.

Marcos Vinícius, Amanda Rodrigues, 28, e Marcela Camilly, são acusados de injetar altas doses de medicamentos nos pacientes João, Marcos e Miranilde.

Os técnicos seguem presos preventivamente enquanto aguardam julgamento pelas mortes.

Justiça aceita denúncia

No último dia 12/3, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou o trio por homicídio doloso, quando há a intenção de matar. Com a anuência da Justiça, os técnicos agora se tornaram réus.

Em 18 de março último, o Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios aceitou denúncia contra o trio de técnicos de enfermagem pelas mortes dos três pacientes supracitados. Para a Corte, há indícios suficientes de materialidade e autoria para dar início à denúncia de homicídio qualificado contra Marcos Vinícius, Amanda e Marcela Camilly.

Caso sejam condenados, a pena pode variar de 12 a 30 anos de prisão por cada morte de paciente.


Mais sobre o caso

  • As mortes de três pacientes foram denunciadas à polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após a instituição observar circunstâncias atípicas relacionadas aos óbitos.
  • “O hospital instaurou investigação, por iniciativa própria”, afirmou a instituição em nota.
  • A primeira fase da Operação Anúbis, que investigou o caso inicialmente, foi deflagrada pela PCDF na manhã de 11 de janeiro.
  • Durante as diligências, os policiais recolheram materiais considerados relevantes para a apuração, que passaram a ser analisados pelos investigadores.
  • Ainda cabe elucidação a respeito da dinâmica das mortes, o papel de cada suspeito e a possível participação de outras pessoas, bem como o número exato de óbitos causados pelo trio de técnicos de enfermagem.

As defesas dos investigados sustentam a inocência dos clientes e afirmam que os fatos ainda estão em fase de apuração. O Hospital Anchieta, por sua vez, reafirma que foi o responsável por comunicar as suspeitas às autoridades e diz colaborar integralmente com a diligência policial.

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