No DF, 1.186 pessoas foram dadas como desaparecidas só em 2026
Parte dos casos registrados acontece de forma voluntária e por problemas de saúde mental

No primeiro semestre deste ano, a capital federal contabilizou 1.186 registros de pessoas desaparecidas, figurando entre as maiores taxas proporcionais por população do país, ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul, que registrou 4037 notificações do tipo. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), a taxa de localização no recorte foi de 96%, com 1.133 pessoas encontradas.
Sobre o volume de registros, a tenente-coronel da PMDF, subsecretária de Integração de Políticas Públicas de Segurança da SSPDF, Larissa de Jesus, explica que o incentivo para que a população da capital denuncie os casos de sumiços antes das 24 horas impacta diretamente nas estatísticas e resulta no número maior de notificações precoces. Questões geográficas também facilitam o registro de ocorrências.
“A gente tem algumas características específicas do Distrito Federal que colaboram e favorecem um registro de todos os casos de desaparecimento. Então, a impossibilidade de notificação aqui é baixíssima, porque nós temos delegacias regionais praticamente em todas as RAs”, afirmou Larissa.
Segundo a tenente-coronel, cerca de 23% a 25% dos desaparecimentos no DF correspondem a crianças e adolescentes, em sua maioria, meninas. No panorama geral, os homens são a maioria dos registrados como desaparecidos.
“A nossa taxa de crianças e adolescentes varia entre 23% e 25% por cento desse total de desaparecidos. Temos até um dado bem interessante que mostra que quando você olha os dados gerais, a maioria das pessoas que desaparecem são homens, mas quando você faz o recorte de criança e adolescente a maioria é de mulheres”, explicou a responsável.
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No entanto, até 17 de agosto, pelo menos 68 pessoas continuavam desaparecidas, número considerado pouco frente aos casos solucionados, mas que faz diferença para os familiares que seguem sem respostas. Na maioria dos casos, o desaparecimento é voluntário e motivado por problemas de saúde mental ou conflitos familiares, explicou a SSPDF.
Desaparecido após ser levado por uma equipe de Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Gama, Marcos Vinícius Alves, 30 anos, é procurado pela família desde 25 de agosto. Ao Metrópoles, a mãe dele, Kenia Alves, 50 anos, disse que o filho sofre problemas de saúde mental e foi levado para atendimento médico após passar mal por possíveis efeitos de um novo remédio. Ele saiu da unidade de saúde por volta das 7:30 da manhã e desde então não foi localizado.

O sentimento de não saber a onde o filho está é angustiante, relatou Gertuda Laurinda Ferreira, moradora do Riacho Fundo 2, que aguarda respostas do paradeiro de Matheus Ferreira Gomes, 33 anos, desaparecido desde 20 de agosto após sair de casa e não dar mais notícias. De acordo com a mãe, o período do desaparecimento coincidiu com problemas familiares entre o homem e a sua companheira.
Há pouco mais de 27 anos, Katia Liberato busca por notícias da mãe, Mirian Liberato Silva, desaparecida aos 49 anos. Segundo a filha, na tarde de 10 de junho de 1999, Mirian saiu da casa em que morava, em Sobradinho, e não retornou mais. Logo após foi realizado todos os procedimentos, como boletim de ocorrência e buscas, mas até hoje a família não obteve qualquer sinal.
A filha conta que, mesmo após tantos anos do desaparecimento, continua procurando incansavelmente, com esperança de encontrar a mãe em algum momento. O sentimento descrito por Katia Liberato é o de um vazio sem ponto final, marcado por perguntas que nunca tiveram respostas.

“Ao longo dos anos, já está passando de duas décadas, eu procuro por ela incansavelmente”, disse. “Eu sei que é um vazio, uma dor sem ponto final, marcada por várias perguntas sem resposta. Às vezes me fazem perguntas sobre o que poderia ter acontecido, mas não tenho ideia. O que eu sei é que não canso de procurar por ela”, contou Liberato.
Até o momento da publicação desta reportagem, as pessoas desaparecidas citadas ainda não haviam sido encontradas. Com isso, os números de localizações podem oscilar.
Medidas em caso de desaparecimento
Segundo a Secretaria, parte dos casos positivos de localização é motivada principalmente pela rapidez das denúncias. Por isso, não existe a necessidade de aguardar 24 horas ou mais para registrar um desaparecimento. Denuncias podem ser notificadas presencialmente em uma delegacia da Polícia Civil do DF (PCDF) ou pela Delegacia Eletrônica.
“Informações que possam contribuir para a localização de uma pessoa desaparecida podem ser repassadas à PCDF pelo telefone 197. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190”, completa a SSP-DF.
As atuais estratégias para a localização de pessoas desaparecidas incluem buscas na região do último paradeiro, divulgação pelo perfil oficial @desaparecidos_df e o uso do Alerta Amber em casos de desaparecimento de crianças. Além disso, câmeras de segurança são utilizadas para chegar à localização das vítimas.
