“Não vai dar em nada”, diz Ibaneis Rocha sobre greve de servidores

A declaração foi dada pelo emedebista após sair de encontro com Bolsonaro, governadores e parlamentares, onde tratou sobre pacto federativo

Rafaela Felicciano/ MetrópolesRafaela Felicciano/ Metrópoles

atualizado 08/05/2019 11:39

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), falou sobre a greve dos metroviários e outras ameaças de paralisações, como a da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), após sair do encontro com o presidente Jair Bolsonaro (PSL), parlamentares e gestores de outras unidades da Federação no Lago Sul, nesta quarta-feira (08/05/2019). O movimento dos servidores, segundo o emedebista, é inócuo, em razão da dificuldade financeira que o DF enfrenta.

“É uma falta de compreensão muito grande do serviço público, sabendo que todos os estados estão quebrados, tentar enfrentar greves por melhorias salariais. Todos nós sabemos que não vai dar em nada, porque não existe possibilidade de se negociar nada no âmbito de salários”, disse Ibaneis.

Além de Bolsonaro, estavam presentes no café da manhã os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), e do Senado Federal, David Alcolumbre (DEM). A pauta da reunião foi a construção de um acordo para viabilizar a aprovação do projeto da reforma da Previdência no Congresso Nacional e o plano de recuperação fiscal dos estados.

Os metroviários estão de braços cruzados desde o dia 2 de maio. “E aqui no DF é de forma mais absurda ainda. Quando você pega, por exemplo, o condutor de um trem de Metrô, que ganha em torno de R$ 12 mil. Enquanto São Paulo, quem faz o mesmo serviço recebe R$ 4 mil”, comparou.

Segundo o emedebista, a sequência de governos de esquerda e socialistas em Brasília gerou uma apropriação dos órgãos pelo serviço público. “Agora nós vamos ter que dar uma enquadrada nessa situação, sob pena de quebrar todas as empresas. Elas já estão quebradas. E aí a situação desses servidores vai se agravar ainda mais”, afirmou.

Segundo o governador, caso o Executivo não faça o ajuste das contas, corre o risco de chegar à situação de estados como Rio de Janeiro, Rio Grande Sul e Rio Grande Norte, que estão atrasando pagamento de salários. Ibaneis condicionou a retomada dos reajustes ao reequilíbrio do orçamento.

Certamente nós vamos valorizar os servidores. Esse é o meu intuito. Lembrando a todos que advoguei para servidores públicos durante 25 anos. Agora, eu tenho a responsabilidade de administrar um estado, onde houve aumentos salariais fora da proporção nacional e que colocou esse servidores em um condição salarial bem elevada em relação aos demais estados da Federação

Ibaneis Rocha, governador do DF

Reformas
Para Ibaneis, as reformas são necessárias tanto para o governo federal quanto para estados, municípios e DF – preferencialmente, ainda neste primeiro semestre, para afastar a influência das próximas eleições municipais, previstas para 2020. O emedebista lembrou que o Brasil está politicamente dividido desde a eleição de 2018 e, por isso, governadores não têm controle sobre as bancadas estaduais.

Os governadores apresentaram seis pedidos para o Palácio do Planalto e o Congresso. A lista inclui a redistribuição da arrecadação dos impostos, da Lei Kandir, da sessão onerosa do petróleo, do Fundeb, bem como a aprovação do projeto de securitização das dívidas e o detalhamento do pacote de recuperação fiscal dos estados, o Plano Mansueto.

Atualmente, 70% dos impostos recolhidos acabam nos cofres da União, enquanto o restante é redistribuído pelos estados. Os governadores querem inverter essa repartição para ter dinheiro em caixa para obras e prestação de serviços públicos.

“A reforma da Previdência tem que atender à sociedade e não à economia”, ressaltou Ibaneis. O governador do DF cobra a retirada do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e das regras mais rígidas para a aposentadoria rural do texto da reforma. O Congresso Nacional já concorda com a medida, mas falta a anuência do Planalto.

Segundo Ibaneis, a recuperação dos estados é uma questão de emergência. “Nós temos 10 estados que não suportam a crise deste ano. Mais nove que não suportam o ano que vem. É o que eu digo: é fila da bancarrota, todos vão cair”, sentenciou.

A situação crítica já bate à porta de Brasília. “Aqui no DF mesmo, estou tendo um agravamento do desemprego, o que leva a insegurança, pequenos furtos, crimes. Então, estamos querendo que essa reforma seja aprovada de forma muito rápida”, declarou.

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