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Apuração pelo Brasil

Na Mira

"Tribunal do job" decide quais prostitutas podem integrar pirâmide do sexo

"Tribunal" de WhatsApp usado por cafetinas converteu linchamento virtual, extorsão e expulsões em arma de controle sobre mercado de luxo

27/10/2026 02:00
Arte/Metrópoles
mulheres e martelo de tribunal

No topo da pirâmide do mercado de acompanhantes de altíssimo padrão no Brasil, a estabilidade de uma carreira milionária não depende do apelo estético nem da discrição dos clientes. Depende da clemência do “Tribunal”.

É em um grupo secreto do WhatsApp que três garotas de programa e que também atuam como cafetinas, uma com base em Curitiba (PR) e duas em Belo Horizonte (MG), exercem controle absoluto e impiedoso sobre centenas de modelos, impondo linchamentos virtuais, punições financeiras e o banimento definitivo de quem ousar contrariar a engrenagem do esquema.

A investigação da coluna Na Mira revelou que, se a rede de canais como o Casting Elite World opera como vitrine para programas de até R$ 10 mil direcionados à elite financeira do país e do exterior, o grupo batizado de “Tribunal” funciona como o braço punitivo e a engrenagem de tortura psicológica do império clandestino.

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O funcionamento do “Tribunal” simula a estrutura de um juizado paralelo, contudo despido de qualquer direito de defesa ou rito processual. As decisões são tomadas de forma monocrática e instantânea pelas três gestoras da rede.

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Julgamento

Para que uma garota de programa seja sumariamente remetida ao julgamento da câmara secreta, não são necessárias infrações graves: bastam prints de conversas privadas vazados, desentendimentos banais por disputa de clientes ou meras denúncias feitas pelos 15 a 30 agenciadores parceiros do trio.

Assim que a “denúncia” é aceita pelas gestoras, o grupo converte-se em uma arena de linchamento virtual. O perfil da modelo ou do agenciador caído em desgraça é exposto publicamente para os mais de 600 integrantes da comunidade.

Fotos pessoais, áudios íntimos e capturas de tela são divulgados com o objetivo explícito de degradar a reputação do alvo e servir de exemplo dissuasório para os demais membros.

Veja imagens do grupo:

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As punições

As sanções impostas pelo trio seguem um padrão financeiro rigorosamente desenhado para alimentar a lucratividade da pirâmide:

  • Punições financeiras: para desobediências consideradas leves ou questionamentos à conduta das administradoras, a pena imediata é a remoção da profissional dos grupos de oferta de vagas. Para reaver o acesso ao circuito de atendimento VIP, a garota é obrigada a quitar novamente a taxa de “pedágio” no valor de R$ 300.
  • O retrato do esquema frio: a apuração apontou que a submissão ao “Tribunal” ocorre principalmente quando há críticas à cobrança recorrente da taxa de acesso ou denúncias contra calotes praticados por agências parceiras. Nestes casos, a denúncia da modelo é invertida contra ela mesma para resguardar os contratos comerciais do trio.
  • Uso instrumental da Black List: a articulação mais severa ocorre entre o “Tribunal” e o grupo Black List Nacional/Internacional. Originalmente desenhado no mercado como proteção contra clientes abusivos, o cadastro foi transformado pelo trio em arma de coerção.

“Ter o nome inserido na lista negra sob rotulagens como ‘problemática’ ou ‘não confiável’ significa o fim absoluto da carreira no alto padrão. Os contatos e imagens vazam imediatamente para agências do Brasil, da Europa e de Dubai”, relatou uma modelo sob condição de anonimato à coluna.

Valores estorsivos

A reabilitação no sistema e a consequente remoção do nome do cadastro restritivo internacional  só é concedida mediante o pagamento de quantias extorsivas adicionais ou a aceitação de termos de trabalho impostos unilateralmente pelas gestoras.

Como detalhado na reportagem principal da coluna, o ecossistema mantido pelas três investigadas opera à margem de qualquer fiscalização legal, movimentando quantias expressivas sob a fachada de grupos restritos de mensagens.

A atuação do “Tribunal” consolida o domínio do trio ao assegurar que nenhuma modelo consiga atuar de forma independente no mercado VIP sem pagar o pedágio estipulado ou submeter-se à disciplina ostensiva das administradoras.