
Na MiraColunas

Técnica que sequestrou bebê alega abalo emocional após perder filho
Eliane Borges Tavares, 44 anos, foi presa ao tentar sair do Hospital Regional de Santa Maria carregando um bebê recém-nascido
atualizado
Compartilhar notícia

A defesa da técnica de enfermagem que tentou sequestrar um bebê recém-nascido do Hospital Regional de Santa Maria alegou que a mulher vivenciou “significativo abalo psicológico” após a morte do próprio filho no ano passado. Eliane Borges Tavares Dias Vieira, de 44 anos, foi presa em flagrante no último sábado (28/3).
“Sem prejuízo, destaca-se que a Sra. Eliane vivenciou, recentemente, situação de extrema gravidade emocional, em razão do falecimento de seu filho no exterior, ocorrido em junho de 2025, episódio que lhe causou significativo abalo psicológico, com necessidade de afastamento previdenciário e acompanhamento psiquiátrico especializado”, afirmou a defesa.
O filho da técnica de enfermagem, identificado como Gabriel Tavares Bittencourt, de 24 anos, morreu após passar mal no Chile.
Ele convulsionou e teve uma parada cardiorrespiratória. O jovem trabalhava como guia turístico no país.
De acordo com a defesa de Eliane, após a morte do filho, a mulher teria permanecido afastada de suas atividades laborais por período considerável, “tendo retornado apenas em janeiro de 2026, permanecendo em tratamento médico contínuo, com uso de medicação sob prescrição”.
Sequestro de recém-nascido
A criança havia nascido há poucas horas, enquanto a mãe permanecia desacordada no pós-operatório. Aos seguranças e policiais, Eliane afirmou que a ação se tratava de uma “brincadeira”.
Em depoimento na 20ª Delegacia de Polícia (Gama), uma das vigilantes relatou que estava em seu posto quando viu a técnica deixando o setor obstétrico em atitude suspeita.
Ao notar a movimentação, a vigilante se levantou e questionou o destino da funcionária, que inicialmente ignorou o chamado e seguiu caminhando. A abordagem só foi concluída após a aproximação de uma segunda vigilante, que deu apoio à ação.
Assista depoimento:
Ao ser confrontada pelas seguranças sobre o que carregava, Eliane revelou tratar-se de um bebê. Segundo uma das vigilantes, a técnica teria sorrido e afirmado: “Parabéns, você passou no teste”.
De acordo com relato da vigilante, Eliane insistiu que se tratava de uma “brincadeira” ou simulação para testar a eficiência da vigilância hospitalar, repetindo frases de elogio à segurança enquanto retornava ao setor.
A vigilante disse que, devido à gravidade da conduta acionou imediatamente o registro de ocorrência e a supervisão. Ela também contou que Eliane apresentou-se abalada, chorou e pediu desculpas, alegando estar passando por problemas pessoais.
Por sua vez, o superior de Eliane esclareceu aos policiais que nenhum técnico de enfermagem tem autonomia para retirar um recém-nascido do setor sem autorização e acompanhamento do enfermeiro responsável e do médico pediatra.
Ele também enfatizou que, caso houvesse necessidade de remoção para exames ou UTI, seria montada uma estrutura com maleta de parada cardíaca, medicamentos e equipe multiprofissional, o que não ocorreu no caso em questão.
Técnica negou acusações
A técnica de enfermagem negou qualquer intenção de subtrair o recém-nascido ou de retirá-lo das dependências do hospital.
Ouvida pelos policiais, ela relatou que estava em seu plantão de 12 horas e, após uma cirurgia cesariana, prestava assistência a um bebê que apresentava quadro de hipoglicemia.
Segundo Eliane, em um momento de descontração com uma colega de equipe, teria dito em tom de brincadeira: “Será que os seguranças falam alguma coisa se eu sair com o bebê?”.
Eliane afirmou que abriu a porta do setor e caminhou apenas alguns metros, permanecendo dentro da área hospitalar e sem a intenção de cruzar a portaria externa.
Diante da existência de elementos que corroboraram e provaram a existência dos delitos, bem como da autoria, a técnica de enfermagem foi indiciada pela Polícia Civil do Distrito Federal por subtração de incapaz.
Proibida de se aproximar do hospital
Eliane passou por audiência de custódia nesse domingo (29/3) e teve a liberdade provisória concedida pela Justiça do Distrito Federal.
A técnica de enfermagem está proibida de acessar qualquer unidade neonatal, maternidade, centro obstétrico ou berçário em qualquer unidade de saúde, pública ou privada, durante todo o curso do processo.
Além disso, ela deve manter uma distância mínima de 300 metros do Hospital de Santa Maria e não pode ter qualquer tipo de contato com a mãe da criança ou com os profissionais de saúde e vigilantes que testemunharam o ocorrido.
O caso segue sob investigação da 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria) para apurar se havia intenção de subtração de incapaz ou outros crimes correlatos.
O que diz o Iges-DF
O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), responsável pela administração do Hospital Regional de Santa Maria, informou que identificou uma tentativa indevida de retirada de uma criança da unidade por uma colaboradora, sem qualquer autorização e em total desacordo com os protocolos institucionais.
“O IgesDF destaca que dispõe de equipes de segurança altamente qualificadas e treinadas, com atuação rigorosa especialmente nos fluxos das maternidades, que seguem protocolos estritos de controle, identificação e circulação, assegurando a proteção integral de pacientes e recém-nascidos”, afirma.
A profissional foi afastada de forma imediata, e o caso está sob análise das áreas competentes para a adoção de todas as medidas administrativas e legais.
“O Instituto reforça que não tolera qualquer conduta que viole suas normas e atua com absoluto rigor na apuração de fatos que possam comprometer a segurança de pacientes, familiares e equipes assistenciais, mantendo plena colaboração com as autoridades”, declarou.
