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Na Mira

Sutiã, brinde e anúncio: como advogada presa por tráfico atuava no DF.

A advogada se desesperou com a chegada dos policiais no Sudoeste; foram achados 11 envelopes e uma pedra de cocaína escondidos no sutiã

Imagem cedida ao Metrópoles
Advogada presa por tráfico

A advogada Bruna Calland Cerqueira Rizieri (foto em destaque), presa com o companheiro, Henrique Sampaio da Silva, de 39 anos, e condenada pela Justiça do Distrito Federal a oito anos de reclusão por tráfico de drogas, não permanecerá presa após a Justiça conceder à ré o direito de recorrer da sentença em liberdade.

Durante a abordagem em que foi capturada, Bruna chorou ao ser flagrada com 11 envelopes e uma pedra de cocaína escondidos no sutiã, além de outra porção da mesma droga ocultada em um compartimento secreto da roupa íntima.

Vídeo da abordagem: 

O casal foi preso por policiais civis da 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro), em setembro de 2025, em um apartamento de luxo no Sudoeste, no Distrito Federal.

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A coluna Na Mira apurou que Bruna Rizieri teve dois habeas corpus negados, em junho e julho. Apesar de a pena ter sido fixada em regime inicialmente fechado, o magistrado responsável concedeu à ré o direito de recorrer da sentença em liberdade.

A reportagem tenta localizar a defesa de Bruna e Henrique Sampaio. O espaço permanece aberto para manifestação.

Prisão

O processo, que estabeleceu o cumprimento inicial da pena em regime fechado, detalha a ação que culminou na prisão do casal. Os dois foram capturados após, segundo a investigação, venderem duas porções de cocaína a um usuário. Abordado por uma equipe policial que monitorava o local, o comprador afirmou ter pago R$ 70 pela droga. O pagamento foi realizado por meio de Pix.

Durante as buscas no imóvel, os investigadores encontraram ecstasy, haxixe, maconha, cocaína, loló, balanças de precisão, dinheiro em espécie, sacos plásticos do tipo ziplock e canudos.

No quarto de Henrique foram apreendidos R$ 262 em espécie e uma porção de cocaína. Outra balança de precisão estava na cozinha. No escritório, os policiais localizaram mais porções de drogas e objetos produzidos em impressora 3D.

Imagens: 

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A situação de Bruna se agravou durante a busca pessoal realizada na delegacia. Segundo o processo, os policiais encontraram 11 envelopes de cocaína escondidos no sutiã da advogada, além de outra porção da mesma droga ocultada em um compartimento secreto da roupa íntima.

Conversas apontaram atuação na venda

Um dos principais elementos considerados pela Justiça foram os dados extraídos do celular de Bruna. De acordo com o laudo de perícia criminal, havia conversas em que ela aparecia como adquirente de drogas, mas também mensagens que, segundo a sentença, demonstravam atuação como fornecedora.

Em uma das conversas, Bruna escreveu: “Adiantem suas encomendas pro fds pra dps não chorar pq acabou [sic]”. Em outro diálogo, afirmou: “Mas esses dry já tão vendidos [sic]”.

Para o magistrado, as mensagens indicavam oferta, disponibilidade e venda de entorpecentes, afastando a versão apresentada pela defesa de que se trataria apenas de consumo eventual entre conhecidos.

A sentença também menciona uma publicação acompanhada da expressão “on”, associada, segundo a decisão, à disponibilidade de cocaína para venda.

O laudo apontou ainda a vinculação, no aparelho de Bruna, de uma conta Google associada ao endereço de e-mail de Henrique. Para a Justiça, o dado, somado às demais provas, reforçou a existência de utilização comum do dispositivo e contrariou a alegação de desconhecimento entre os dois sobre as respectivas atividades.

Celular de Henrique também revelou negociações

O laudo de perícia criminal, referente ao aparelho de Henrique, também reuniu mensagens que, segundo a sentença, comprovariam a comercialização de drogas. Nas conversas, aparecem pedidos por diferentes entorpecentes, indicações de preços, combinações para entrega e referências a pagamentos.

Entre as mensagens analisadas estão:

  • “Tem o px?”
  • “Oi boa noite, ta tendo colombia?”
  • “Tá 20”
  • “Tem o kk?”
  • “Tem px?”
  • “EAI tem kank”
  • “Mano véi vou aí pegar um knk beleza”
  • “Só knk”

Segundo a decisão judicial, as expressões “px” e “peixe” eram utilizadas para se referir à cocaína. Já “kank”, “knk” e “kk” faziam referência à maconha do tipo skunk, enquanto “colombia” indicava uma variedade da mesma substância.

Para a Justiça, o significado das expressões ficou evidenciado pelo contexto das conversas, que incluíam preços, locais de encontro, pedidos de quantidade e transferências bancárias, além das drogas posteriormente apreendidas.

Um esquema com “brindes” personalizados

As investigações também apontaram uma estratégia incomum para fidelizar os compradores. Segundo a apuração policial, o casal utilizava peças produzidas em impressora 3D como uma espécie de código relacionado às drogas comercializadas. Entre os objetos estavam formatos de peixe, raio, gelo e escama de peixe.

De acordo com os investigadores, os símbolos funcionavam como uma espécie de “cartão de fidelidade” do tráfico, ajudando a identificar produtos e a criar um vínculo de exclusividade com os clientes.

Henrique continua preso

Henrique também foi condenado a oito anos de prisão, mas não recebeu o mesmo benefício concedido à companheira e permanece preso.

Segundo informações reunidas na investigação, ele já havia sido preso outras vezes por envolvimento com o tráfico de drogas. A apuração também apontou que Henrique chegou a ser nomeado para um cargo comissionado em um órgão público, mas não chegou a tomar posse.