Quadrilha furtava motos em 5 segundos e cobrava resgate das vítimas
Bando utilizava "puxadores" especializados em furtos relâmpago, monitorava pedidos de ajuda nas redes sociais e cobrava R$ 3 mil de resgate

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia), deflagrou na manhã desta quarta-feira (1º/7) a operação “Duas Rodas” para desmontar uma organização criminosa que transformava o furto de motocicletas em uma verdadeira linha de produção.
Com “puxadores” capazes de levar uma moto em pouco mais de cinco segundos, a quadrilha escondia os veículos, adulterava a identificação, despachava parte deles para a Bahia em menos de 24 horas e ainda extorquia os proprietários que recorriam às redes sociais em busca de ajuda, exigindo até R$ 3 mil para revelar o paradeiro das motocicletas.
Ao todo, foram cumpridos 11 mandados judiciais, sendo sete de prisão e quatro de busca e apreensão nas regiões administrativas de Samambaia e Ceilândia. As investigações identificaram uma organização altamente estruturada, responsável por pelo menos 15 furtos de motocicletas.
Funções específicas
Cada integrante desempenhava uma função específica: enquanto parte da quadrilha dava apoio logístico em carros ou em outras motos furtadas, os executores chegavam aos estacionamentos públicos munidos de chaves falsas, conhecidas como “michas”, e conseguiam ligar e levar os veículos em menos de um minuto — em alguns casos, em pouco mais de cinco segundos.
Os alvos preferenciais eram estacionamentos de estabelecimentos comerciais de grande circulação, como farmácias e lojas de comércio eletrônico. Os crimes eram cometidos em plena luz do dia, principalmente entre 13h45 e 14h25, dificultando qualquer reação das vítimas.
Logo após os furtos, as motocicletas eram escondidas em áreas de mata para “esfriar” os veículos e reduzir o risco de localização pela polícia. Em seguida, os criminosos adulteravam os sinais identificadores antes de enviá-las para fora do Distrito Federal.
Caminhão carregado
Um dos principais avanços da investigação ocorreu quando policiais interceptaram um caminhão-baú carregado com motocicletas furtadas no dia anterior. O flagrante revelou a velocidade da logística criminosa: em menos de 24 horas, os veículos eram furtados, adulterados e embarcados em caminhões terceirizados, mediante pagamento de aproximadamente R$ 500 de frete, com destino ao Nordeste.
As apurações também apontaram que a organização possuía ramificações na Bahia. No estado, um dos integrantes recebia as motocicletas e anunciava a venda abertamente por meio das redes sociais, como Instagram e Facebook, evidenciando a atuação interestadual da quadrilha.
A polícia também descobriu que um dos criminosos explorava o desespero das vítimas para obter lucro extra. Monitorando publicações em redes sociais, ele identificava proprietários em busca das motocicletas e oferecia informações sobre o paradeiro dos veículos apenas mediante pagamento de R$ 3 mil, prática que levou à inclusão do crime de extorsão entre as acusações.
Prisão domiciliar
Outro aspecto que chamou a atenção dos investigadores foi a reincidência de um dos principais executores dos furtos. Ele havia deixado o sistema prisional há menos de 15 dias e cumpria pena em regime de prisão domiciliar quando voltou a integrar o esquema criminoso. O investigado foi identificado, inclusive, participando da entrega das motocicletas ao caminhoneiro responsável pelo transporte interestadual.
Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, furto qualificado, adulteração de sinais identificadores de veículo automotor e extorsão. Somadas, as penas podem ultrapassar 30 anos de prisão. Segundo a PCDF, a operação representa mais um passo no combate às organizações especializadas em crimes patrimoniais e ao mercado ilegal de motocicletas furtadas.



