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Porsche, fuga e dívidas: a queda de Arboleda e o descontrole da própria fortuna
Justiça bloqueia Porsche 911 e contas bancárias de zagueiro; bastidores do Morumbi fervem com segundo “perdido” do atleta
atualizado
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O que parecia ser apenas uma ausência injustificada em um treino transformou-se em um thriller policial que sacode os bastidores do Morumbi. Robert Arboleda, o pilar da defesa tricolor, foi dado como desaparecido. Enquanto a torcida busca respostas técnicas para sua ausência no duelo contra o Cruzeiro, a coluna Na Mira mergulhou nos corredores do clube para entender o que há por trás do sumiço do equatoriano. O jogador foi visto nessa segunda-feira (6/4), após 48 horas, em imagens gravadas no Equador, terra natal do defensor.
Para quem convive com o zagueiro no dia a dia, a surpresa é absoluta, mas não sem precedentes. Integrantes da cúpula do São Paulo Futebol Clube, ouvidos sob sigilo pela reportagem, são unânimes: Arboleda é um dos “queridinhos” do elenco. Educado, simpático e de fácil trato, ele transita com leveza entre funcionários, jogadores e dirigentes.
Porém, um segredo era guardado a sete chaves pela diretoria: um “total descontrole financeiro” e uma alarmante falta de maturidade para gerir os cerca de R$ 800 mil que recebe mensalmente. O valor, um dos mais altos do plantel, é fruto de uma renovação contratual onde o clube, em um esforço para manter o atleta, já havia assumido dívidas anteriores dele no mercado.
Conexão perigosa
A apuração da coluna revela que este não é o primeiro “perdido” que o defensor dá no clube. Desta vez, contudo, o tom é mais sombrio. Boatos persistentes nos bastidores dão conta de que o descontrole financeiro empurrou o atleta para caminhos perigosos.
Informações preliminares sugerem que Arboleda teria contraído dívidas milionárias com agiotas e integrantes de organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas. O sumiço e a viagem repentina ao Equador seriam, na verdade, uma tentativa desesperada de fuga ou uma busca por resolução de pendências que saíram do controle das vias legais.
Cronologia do colapso
Os dias que antecederam o desaparecimento foram marcados por decisões judiciais asfixiantes:
- o Porsche penhorado: o luxuoso Porsche 911 Carrera S do jogador foi bloqueado pela Justiça para garantir o pagamento de débitos;
- o acordo de R$ 800 mil: na véspera de sumir, Arboleda tentou uma última manobra. Informou à 4ª Vara Cível da Lapa que o São Paulo FC pagaria sua dívida com a advogada Karoline Brandão — valor estimado em R$ 795 mil, referente a honorários de diversos processos anteriores;
- a promessa e o sumiço: o jogador solicitou o desbloqueio de suas contas e do veículo, alegando que o Tricolor parcelaria o débito em 10 vezes. O contrato do acordo foi colocado sob sigilo. Dias depois, sem aviso, Arboleda embarcou para o Equador.
O São Paulo enviou uma notificação com prazo de 24 horas para que o zagueiro Robert Arboleda se reapresente ou apresente justificativas de seu sumiço do clube. Sem responder mensagens de dirigentes desde sábado, o jogador foi flagrado no Equador, seu país natal, e não compareceu ao treinamento nesta segunda-feira (6/4).
Arboleda permanece em solo equatoriano. Se ele voltará para honrar o acordo judicial ou se o “perdido” desta vez será definitivo, é a pergunta de R$ 1 milhão que ecoa nas arquibancadas do Morumbi.
