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Na Mira

Policial civil é preso após matar amigo a tiros em casa de praia na Bahia

Agente da Polícia Civil de São Paulo alega legítima defesa da esposa, mas depoimento do síndico e vestígios no local contradizem versão

31/10/2026 10:15
Getty Images
Imagem colorida de uma mão de uma pessoa branca segurando uma pistola. Jovem morre baleado em jogo de futebol

Um homicídio envolvendo um integrante das forças de segurança pública de São Paulo movimentou o distrito de Arraial d’Ajuda, em Porto Seguro,  na Bahia. Um policial civil paulista, que estava fora de serviço, matou a tiros um amigo com quem compartilhava uma casa alugada para temporada num residencial no Alto da Pitinga.

A Polícia Civil da Bahia investiga o caso, que teve início como uma aparente discussão motivada pelo consumo de bebidas alcoólicas. O crime ocorreu nesta quinta-feira (29/10).

De acordo com as apurações iniciais contidas no boletim de ocorrência, a vítima, o autor dos disparos e a esposa do agente viajavam juntos e ocupavam o imóvel desde o último domingo. A desavença teria começado durante a travessia de balsa, após o grupo deixar um quiosque na orla da região.

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Em depoimento prestado às autoridades de Porto Seguro, o policial civil alegou que, ao chegarem à residência, a vítima passou a exigir de forma agressiva o celular de sua esposa. Diante da recusa, o homem teria agredido a mulher com um chute e um tapa, sacando uma faca logo em seguida. O agente afirmou ter efetuado os disparos para defender a companheira e que voltou a atirar quando o amigo, mesmo atingido, tentou recolher a arma branca do chão. A mulher do policial apresentou uma versão semelhante à dos fatos.

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Pedido de socorro

A tese de legítima defesa apresentada pelo agente, contudo, contrasta com o depoimento prestado pelo síndico do condomínio às equipes policiais. O responsável pelo prédio relatou ter ouvido estampidos de tiros e gritos vindo do interior do imóvel. Logo em seguida, presenciou a vítima saindo da casa gravemente ferida e sangrando, clamando por socorro antes de cair inconsciente junto à porta de entrada.

A testemunha acrescentou ainda ter visto o policial civil deixar o local em direção à praia e retornar pouco tempo depois. Ao voltar para o imóvel, o síndico afirmou ter flagrado o agente com uma faca na mão, detalhe que passa a ser analisado pela perícia técnica.

O Centro Integrado de Comunicações (CICOM) foi acionado pelo proprietário do imóvel após alertas de vizinhos sobre o barulho de disparos e a presença de sangue no local. Guarnições da Polícia Militar e equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram deslocadas para a ocorrência, mas a vítima não resistiu aos ferimentos e teve o óbito constatado ainda na cena do crime.

O veículo utilizado pela vítima foi localizado no imóvel e passará por perícia. O caso segue sob apuração da Polícia Civil da Bahia, que colheu os depoimentos e instaurou inquérito para esclarecer a dinâmica dos fatos e determinar as responsabilidades criminais do policial paulista.