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“Podia ter morrido”, diz mãe de adolescente ferida em racha entre BMWs. Veja vídeo
Jovem teve fratura exposta no braço, ficou mais de 40 dias em recuperação e está sem movimento em dois dedos
atualizado
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O acidente causado por um racha entre duas BMW no Lago Sul (DF) deixou sequelas em uma adolescente, de 16 anos, que estava no carro de luxo que colidiu com um poste. A jovem, que apesar de já ter se recuperado da fratura exposta em um dos braços após o violento impacto, não se recuperou do trauma sofrido na tarde de 19 de setembro do ano passado.
Ao Metrópoles, a mãe da jovem, Vivi Lemos, relatou os traumas que o acidente ocasionou na vida de sua filha e a indignação com a imprudência dos envolvidos. Pelo fato de o processo correr em sigilo, os nomes dos envolvidos não foram revelados.
“Ela podia ter perdido a vida, porque era um carro extremamente agressivo, que tinha todos os airbags [funcionando], mas é uma arma na mão de crianças imaturas e inconsequentes. Eles são responsáveis, e a única forma de aprender é responderem pelo que fizeram [na Justiça]”, ressalta.
O fator mais preocupante, segundo a mãe da garota, está relacionado à sequela da lesão gerada pelo acidente. Após se recuperar da fratura exposta, a adolescente se deparou com novo problema: a perda do movimento de dois dedos da mão do braço lesionado.
“Eles [os médicos] conseguiram estabilizar a fratura, e ela ficou 40 dias em casa. Desde o acidente até hoje, ela está fazendo fisioterapia, repete exames, mas o movimento de dois dedos dela não voltou. A gente ainda não sabe ao certo se vai ser algo permanente ou se vai ter que fazer uma outra cirurgia”, desabafa a mãe.
A batida também causou traumas psicológicos à jovem, que agora sente medo de andar de carro. Viagens nas estradas, ou até mesmo trajetos de curtas distâncias, tornaram-se momentos de aflição para a adolescente, segundo a mãe.
“Quando a gente vai viajar e pegar uma estrada, no momento em que o carro pega uma velocidade maior, ela passa muito mal. Ela lembra [do acidente], começa a suar frio e fica com ânsia. Virou um trauma”, destaca Vivi Lemos.
Após o acidente, a adolescente ainda teria virado motivo de “drama” e “piadinha” entre os envolvidos, visto que estudavam na mesma faculdade.
Ridicularizada pelos próprios culpados
Em razão dos comentários desrespeitosos feitos contra a jovem, ela chegou a se mudar de Brasília para viver com a irmã em São Paulo.
“Ela ia a festas e acabava se encontrando com os envolvidos. Eles ficavam rindo, colocavam o dedo no rosto dela e ironizavam [sobre o acidente]. Chamavam ela de dramática. O constrangimento foi tanto que ela acabou não querendo mais ir para a faculdade”, relembra a mãe.
Falta de socorro
Vivi Lemos também relatou o desespero de sua filha e das outras três meninas que estavam no carro quando o racha o começou.
“Elas pediram muito para parar o carro, falando que isso [racha] ia ser ruim. Inclusive, uma das meninas ainda falou: ‘Pelo amor de Deus, eu só quero continuar viva’. E logo depois aconteceu o acidente”, pontua.
Segundo as investigações da 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul), os envolvidos, descritos como jovens de alto poder aquisitivo, dirigiam duas BMW a uma velocidade superior a 120 km/h quando um dos veículos de luxo colidiu.
A coluna Na Mira teve acesso exclusivo às imagens do racha, conforme mostra o vídeo acima na reportagem.
A mãe conta que, após o acidente, os envolvidos não prestaram socorro imediato às jovens e ainda teriam optado por não chamar o Corpo de Bombeiros.
“Foram as pessoas que estavam próximas da parada de ônibus que acionaram o socorro. Eles [os envolvidos] não fizeram nada”, revela.
A adolescente inicialmente foi encaminhada ao Hospital de Base. Segundo a mãe, como não havia materiais para realizar a cirurgia da jovem, ela foi transferida para um hospital particular.
A mãe ainda ressalta que, desde o acidente, está tendo de arcar com todas as despesas médicas. Nenhum responsável dos envolvidos ofereceu ajuda à família. Os gastos médicos já ultrapassam o valor de R$ 80 mil.
A investigação aponta que os motoristas do racha haviam passado a noite anterior ingerindo bebidas alcoólicas. Dentro do carro, foram encontradas taças e bebidas alcoólicas.
Veja como ficou o carro:
Os dois motoristas foram submetidos a exames de sangue no Instituto Médico Legal (IML), que confirmaram a ingestão de álcool. Eles foram indiciados por participação em racha e por embriaguez ao volante. Um terceiro ocupante também foi indiciado por incitar a prática de corrida ilegal.
O delegado-chefe da 10ª DP, Laércio Rosseto, destacou a gravidade desse tipo de crime e a conduta perigosa dos jovens motoristas.
“Trabalhamos para preservar vidas e esse tipo de conduta criminosa precisa ser combatida. Temos muitas crianças, pessoas idosas e moradores em geral que caminham pelas ciclovias da região e podem ser atingidos e mortos por veículos desgovernados que participam de rachas”, pontuou.
Segundo o delegado, casos envolvendo automóveis em alta velocidade no Lago Sul são tratados com rigor e prioridade pelas autoridades policiais. “Ainda temos a preocupação com os ciclistas que trafegam nas vias. Os inquéritos policiais são rigorosamente instruídos a fim de garantir todas as provas necessárias para apreciação do MPDFT”, frisou.












