PM do DF multa carro 9 vezes para ajudar amigo em briga por herança
Uso de viatura, conversa com civis e 9 multas simultâneas em dois meses levam família a denunciar policial militar por assédio institucional

Uma disputa familiar pela posse de um veículo e uma casa herdados escalou para um grave caso de suposto assédio institucional no Distrito Federal. Moradores de Vicente Pires, uma empresária e seu marido acusam um soldado da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) de aparelhar a estrutura do Estado, incluindo farda, viatura e o talonário oficial de trânsito para coagir o casal a ceder em um processo judicial de inventário. O casal chegou a receber cinco multas em um mesmo dia, todas com carro estacionado, e por motivos diferentes.
As câmeras de segurança do comércio da empresária, localizado na Cidade Estrutural, registraram a primeira ação no dia 10 de abril deste ano. Na ocasião, uma viatura caracterizada da PMDF, com o giroflex acionado, estacionou em frente ao estabelecimento (Veja acima).

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Ver todasDo veículo desembarcaram o policial fardado e três civis (dois homens e uma mulher) ligados à parte adversa do processo de inventário, que engloba uma casa e um veículo Toyota Corolla. O grupo permaneceu cerca de sete minutos no local em conversa informal, sem a realização de qualquer ato legal de polícia, período em que o militar foi flagrado anotando a placa do carro da família.
Perseguição sistemática
O desdobramento do episódio escancarou o que as vítimas classificam como perseguição sistemática. Em apenas dois meses, foram lavradas nove multas de trânsito contra o veículo do casal — todas aplicadas pelo mesmo policial e sob a justificativa de “agente desembarcado”, sem qualquer abordagem, assinatura ou identificação do condutor.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA manobra seguiu um padrão atípico, com as autuações sendo registradas em blocos de quatro e cinco infrações no exato mesmo minuto, concentradas exclusivamente nos dois endereços da família, uma loja e a residência, e não em um itinerário comum de fiscalização.
Segundo o advogado do casal, André da Mata, a gravidade do caso aumenta diante do fato de que o carro nem sequer circulava nos horários dos registros. “Que é um absurdo que uma corporação tão respeitada, como é o caso da PMDF, tenha sua imagem manchada por conta de um policial, que se utiliza do aparelho público em benefício próprio e atendendo interesse particulares de terceiros. Esperamos apuração justa e rigorosa”, disse.
Veículo na garagem
De acordo com o advogado, as imagens de segurança do condomínio comprovam que, em uma das datas registradas, a via estava completamente vazia no exato minuto da autuação, tendo o veículo deixado a garagem apenas horas mais tarde.
O prejuízo acumulado pelas infrações indevidas soma R$ 2.050,45 e 47 pontos na CNH, montante suficiente para suspender o direito de dirigir dos afetados. Para os representantes legais da família, o recado era direto: ceder na disputa do inventário ou sofrer as consequências administrativas.
Diante dos fatos, o caso foi registrado na 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires) e encaminhado à Corregedoria da PMDF, ao Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e ao Departamento de Trânsito (Detran).
O que diz a PMDF
As vítimas solicitaram o afastamento imediato do policial das funções de fiscalização e a apuração rigorosa de abuso de autoridade, falsidade ideológica e desvio de finalidade. Temendo por sua integridade física e patrimonial, a família aguarda o andamento das investigações e a anulação dos autos de infração.
A coluna entrou em contato com o Centro de Comunicação Social (CCS) da PMDF para saber se há algum tipo de procedimento aberto para apurar as denúncias envolvendo o policial, que respondeu por meio de nota:
“O fato em questão já está com a Corregedoria da PMDF. A Corporação informa ainda que os fatos serão devidamente apurados pelas instâncias competente e que não coaduna com qualquer conduta contrária à legislação, aos princípios da ética, da disciplina e da moralidade administrativa. A corporação ressalta que toda ação policial deve observar os princípios da legalidade, necessidade e proporcionalidade“.




