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Na Mira

PCDF procura golpista que fraudou Detran por envolvimento em agiotagem

Leonardo Alves havia sido preso por integrar uma quadrilha especializada em fraudes no sistema do Detran; agora é investigado por agiotagem

22/09/2026 13:48, atualizado 22/09/2026 14:31
Imagem cedida ao Metrópoles
PCDF procura golpista que fraudou Detran por envolvimento em agiotagem

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) procura Leonardo Alves de Oliveira Júnior (imagem em destaque), alvo da Operação Rota, deflagrada pela 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina) nessa segunda-feira (21/9). O investigado é suspeito de integrar um grupo envolvido em agiotagem e cobrança de dívidas mediante ameaças e violência.

Vídeo da Operação Rota:

Leonardo já havia sido preso em 2025, durante a Operação Backdoor, que investigou uma organização criminosa especializada em fraudes no sistema do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) e na revenda ilegal de veículos.

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Operação Rota
Preso durante a operação blackdoor
Leonardo Alves de Oliveira Júnior
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PCDF/Divulgação
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Fiança de 100 salários mínimos

Na ocasião, a defesa ingressou com habeas corpus e alegou, entre outros pontos, a ausência dos requisitos para a manutenção da prisão preventiva.

Em dezembro de 2025, o desembargador relator concedeu parcialmente a liminar e revogou a prisão preventiva, mas condicionou a soltura ao pagamento de fiança de R$ 151,8 mil, equivalente a 100 salários mínimos, além do cumprimento de outras medidas cautelares.

Entre as medidas determinadas, estavam a obrigação de manter o endereço atualizado perante a Justiça, atender às comunicações oficiais, não deixar o Distrito Federal por mais de 10 dias sem comunicação prévia e comparecer aos atos processuais.

A defesa pediu a reconsideração do valor da fiança, alegando que a quantia era incompatível com a situação financeira do investigado. Segundo os advogados, Leonardo tinha emprego de baixa remuneração, é pai de uma criança de quatro anos e a esposa estava grávida.

O pedido foi negado em 18 de dezembro de 2025, mantendo-se a fiança de 100 salários mínimos. A decisão permitiu, entretanto, que a garantia fosse apresentada por meio de caução ou hipoteca de bens, desde que devidamente avaliados e compatíveis com o valor estabelecido.

Posteriormente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu, de ofício, a ordem para dispensar Leonardo do pagamento da fiança e garantir que ele respondesse ao processo em liberdade, salvo se estivesse preso por outro motivo.

As demais medidas cautelares foram mantidas, com possibilidade de reavaliação pelo juízo competente em caso de descumprimento ou surgimento de novos fatos.

Nova investigação

A nova operação da PCDF cumpriu sete mandados de busca e apreensão e três de prisão preventiva contra integrantes de um grupo suspeito de agiotagem e de cobrança violenta de dívidas. O grupo teria atuação em Planaltina (DF), Formosa (GO), Goiânia (GO), Formoso (MG) e Buritis (MG).

Segundo as investigações, os suspeitos concediam empréstimos com juros superiores a 20%. Quando os devedores não conseguiam quitar os valores, o grupo recorreria a ameaças e ao uso de armas de fogo para realizar as cobranças.

Algumas vítimas teriam perdido bens pessoais e estabelecimentos comerciais em razão das dívidas. Em um dos casos, os investigados teriam tomado uma estética automotiva, além de veículos, motocicletas e outros pertences da vítima, como forma de garantir o pagamento.

A investigação começou a partir de elementos obtidos durante a Operação Backdoor, realizada em 2025. A perícia em um celular apreendido naquela investigação revelou indícios da existência de outro grupo estruturado, dedicado à concessão habitual de empréstimos a juros elevados e à cobrança sistemática de devedores.

De acordo com a apuração, os suspeitos teriam criado uma estrutura chamada “Rota”, na qual os integrantes se dividiam entre as funções de financiamento, administração, controle de pagamentos e realização das rotas de empréstimos e cobranças.

A 16ª DP também investiga se os envolvidos utilizavam empresas para lavar o dinheiro obtido com o esquema. Durante a apuração, foram identificadas diversas comunicações de operações financeiras suspeitas encaminhadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A operação prevê ainda o bloqueio de aproximadamente R$ 6 milhões, a apreensão de veículos de luxo e a indisponibilidade de um imóvel avaliado em cerca de R$ 1 milhão.

Operação Backdoor

A Operação Backdoor foi deflagrada em 2025 pela 16ª DP para investigar uma organização criminosa suspeita de fraudes no sistema do Detran-DF e de revenda ilegal de veículos.

Na ocasião, foram cumpridos mandados de prisão preventiva contra três suspeitos em Planaltina (DF), Vicente Pires, Jardim Botânico, Planaltina (GO) e Formosa (GO).

As diligências resultaram na apreensão de cinco veículos, entre eles dois BMWs e um Porsche, além de bolsas de luxo e outros bens de alto valor que, segundo a investigação, seriam utilizados para lavar dinheiro proveniente das fraudes.