PCDF prende cinco suspeitos de lucrar R$ 73 mil com golpe do falso parente.
Grupo é investigado por fornecer chips e “kits” com dados pessoais para aplicar golpes. Prisões ocorreram em Taguatinga e Ceilândia
07/10/2026 08:00, atualizado 07/10/2026 08:19

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta quarta-feira (7/10), uma operação contra uma organização criminosa especializada no chamado golpe do falso parente, onde os autores usam fotos de cidadãos e entram em contato com parentes deles pedindo dinheiro. O grupo é investigado por fornecer chips de celulares e “kits” com dados pessoais utilizados por criminosos para aplicar golpes.
Vídeo da Operação “Atrás das Grades”:
A operação policial é deflagrada pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor). Segundo o delegado João Guilherme Carvalho, são cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão no DF (em Ceilândia e Taguatinga) e em Goiânia (GO).
As pessoas presas são duas mulheres, de 24 e 46 anos, e três homens, de 31, 38 e 48 anos. As identidades não foram reveladas.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAs investigações começaram em maio de 2026, após uma moradora do Distrito Federal ser abordada por um perfil de WhatsApp que utilizava o nome e a foto de seu próprio filho. De acordo com a PCDF, entre novembro de 2025 e maio de 2026, foram registradas ao menos 19 ocorrências policiais relacionadas ao grupo. O prejuízo já identificado é de aproximadamente R$ 73 mil, sendo que uma única vítima perdeu mais de R$ 53 mil.
Entre as vítimas identificadas estão idosos de 75 e 83 anos. A polícia, no entanto, estima que o número real de vítimas seja maior, devido à escala de atuação da organização.

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Ver todasEx-funcionário de telefonia envolvido
De acordo com as investigações, o grupo era dividido em núcleos e atuava, pelo menos, desde 2024. Um dos subgrupos, localizado em Ceilândia, era comandado por um ex-funcionário de uma operadora de telefonia.
Esse grupo cadastrava chips em nome de pessoas que não tinham conhecimento da fraude. Para isso, utilizava listas de CPFs mantidas em cadernos. Em um único aparelho celular investigado, foram identificadas mais de 6 mil habilitações de chips.
Os chips eram vendidos já habilitados, o que dificultava a identificação dos verdadeiros responsáveis pelos golpes.
O segundo núcleo, localizado em Goiânia, recebia e testava os chips e os utilizava para criar contas de WhatsApp empregadas nas fraudes.
Além dos chips, o grupo produzia e vendia, sob encomenda, as chamadas “grades”: kits completos para a aplicação do golpe. O material reunia dados pessoais da vítima e de familiares, obtidos em painéis clandestinos de dados, além de roteiros de conversa e outros materiais de apoio.
Com a “grade”, os compradores recebiam praticamente toda a estrutura necessária para aplicar o golpe, o que permitia reproduzir o esquema em diferentes locais do país e ampliar o número de vítimas.
Vídeo do delegado:
Investigação
A partir da análise dos vestígios digitais, a DRCC identificou uma estrutura organizada e com divisão de tarefas. Segundo a polícia, o grupo atuava em escala e, após tentar aplicar o golpe contra uma vítima, passava rapidamente para outra.
Em alguns casos, o perfil falso utilizado para abordar uma vítima era substituído por outro em questão de horas ou até minutos.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, estelionato qualificado pela fraude eletrônica, com aumento de pena quando praticado contra idosos, e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas máximas previstas para os crimes podem ultrapassar 26 anos de reclusão. Outros delitos, como falsidade ideológica, poderão ser atribuídos aos investigados conforme o avanço das apurações.
As investigações continuam para identificar outros integrantes da organização e as contas utilizadas para receber os valores obtidos com os golpes. Segundo a polícia, alguns dos investigados já possuíam registros policiais por crimes como falsificação de documentos, estelionato e associação criminosa.










