Órgãos ambientais fazem operação contra grilagem na Serrinha do Paranoá
Local pertence ao ICMBio. Segundo o órgão, grileiros já haviam instalado contêiner, três tratores e um caminhão carregado com madeira

Um operação realizada por órgãos ambientais do Distrito Federal, nessa sexta-feira (25/9), interrompeu um parcelamento irregular na área da Serrinha, no Paranoá. No local, as equipes encontraram um contêiner já instalado, três tratores e um caminhão carregado com madeira. A estimativa é que a área degradada seja superior a 200 hectares.
A ação foi realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Brasília Ambiental (Ibram), Terracap e pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). A operação mirou uma terra que pertence ao ICMBio e que estava sendo alvo de grilagem e desmatamento por terceiros.
Ao menos cinco pessoas foram ouvidas na 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), sendo dois agentes dos órgãos e três pessoas apreendidas na operação. Entre eles, um homem chamado Vinicio Jadiscke Tasso, de 72 anos, que se apresentou como proprietário da terra.
Segundo o depoimento de Vinicio à polícia, ele possui os “documentos que comprovariam seu direito sobre a área”. Ele afirmou que detém ainda uma decisão judicial que lhe assegurava o direito de posse sobre a terra. Ainda de acordo com o homem, ele planejava construir “11 imóveis e estruturas destinadas ao uso da área, incluindo casas para caseiros, galinheiro, curral e outras instalações”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEm contrapartida, a Terracap informou que a área é propriedade pública e que “nunca autorizou os envolvidos a realizaram extração de madeira, ocupação, construção ou qualquer outra atividade em seu nome na área objeto da ocorrência”. A pasta esclareceu ainda que embora existam processos envolvendo o solo, ajuizados por Vinicio, “não teria sido identificada decisão judicial que reconheça aos envolvidos direito de posse ou propriedade em face da Terracap”.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF
Frequência de envio: Diário
Ver todasA pasta determinou que todos os responsáveis pelos tratores, caminhões, cercas e outros objetos apreendidos no local sejam identificados para que a participação individual de cada uma seja apurada.
“Quanto à madeira apreendida/localizada, deverá ser realizada a identificação da espécie, quantidade, origem, documentação florestal e eventual autorização para corte e transporte, bem como identificada a propriedade e o responsável pelo caminhão utilizado no transporte. Deverão ser identificados os responsáveis pelos tratores, caminhão, contêineres, cercas, construções e demais intervenções constatadas, bem como apurada a participação individual de cada envolvido”.
A reportagem procurou Vinicio Jadiscke e aguarda retorno.
Alvo de operações anteriores
Em 2010, Vinicio Jadiscke Tasso, foi alvo de uma denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) que envolvia o parcelamento irregular do solo. O processo terminou com a condenação do ex-Deputado Distrital Pedro Passos a pena de quatro anos de reclusão em regime semiaberto e 90 dias-multa, correspondente a cerca de R$ 10 mil.
De acordo com os autos, ex-Deputado e seu irmão Márcio Passos uniram-se a Vinício Jadiscke Tasso e Salomão Szervinski para parcelar e negociar irregularmente os terrenos. O episódio tornou-se público devido a escutas telefônicas autorizadas pela Justiça que flagraram conversas dos investigados relacionadas ao empreendimento. Os outros réus da ação já foram condenados. Pedro Passos era o único que ainda faltava ser julgado.














