Operador detalha acidente que matou trabalhador em obra na Asa Sul
Genilson dos Santos Abreu, de 49 anos, morreu soterrado na construção de um prédio na 116 Sul, nessa terça-feira (16/5)

O operador da máquina envolvido no acidente que culminou na morte de um trabalhador, em uma obra da construtora Lotus na SQS 116 detalhou em depoimento à polícia como aconteceu o acidente. A vítima, Genilson dos Santos Abreu, de 49 anos, foi soterrada e morreu enquanto trabalhava em uma rede de esgoto nessa terça-feira (16/5). O operador relatou que só tinha o lado direito livre para manusear a minicarregadeira, porque do outro lado ficava o vestiário dos operários.
“O meu lado esquerdo não tinha espaço porque tinha um vestiário do pessoal da obra. Do lado direito é onde eu estava tendo o único local para trabalhar com a máquina, para ir e voltar com esses tubos”, disse no depoimento.
No momento do acidente, tanto o operador da máquina quanto a vítima atuavam na obra de construção da rede de esgoto. O operador descreveu que o trabalho envolvia pegar um tubo com a máquina e colocar na vala. Genilson fazia a instalação e concretagem, e o operador voltava para pegar outro tubo, “assim sucessivamente”. Segundo ele, o mesmo trabalho estava sendo executado seguidamente há um mês.
O operário contou que, em determinado momento, quando foi voltar para pegar outro tubo, o chão cedeu devido ao peso da máquina.
“Aí o rapaz estava lá embaixo, eu desci o tubo, ele fez a instalação, eu virei a máquina para o lado oposto. Eu estava puxando o barro para poder alinhar para eu conseguir trabalhar mais na frente e descer outros tubos. Só que quando eu voltei, o barranco cedeu com o peso da máquina”, detalhou.
Ainda de acordo com o depoimento do operador, a máquina não chegou a encostar em Genilson, que foi soterrado pela areia.
Operador de máquina começou na empresa como servente
O trabalhador atuava na Antera Construtora – empresa responsável pela construção da rede de esgoto – há mais de quatro anos. Sua primeira função foi como servente, depois almoxarifado e por último operador de máquina.
À polícia, ele afirmou que tinha licença para operar a minicarregadeira e que tinha quase um mês que estava atuando na obra, junto da vítima.
Outro funcionário, que estava no momento do acidente, contou que a vítima chegou a sair da vala antes de a máquina voltar a operar, todavia, ele retornou ao buraco. No depoimento, a testemunha afirmou que chegou a gritar para alertar Genilson, mas não tinha mais tempo.
“Aí quando ele colocou a manilha, ele foi lá para frente do buraco, certo? Depois veio para sair, tava saindo, no que ele tava saindo já, aí eu mandei a máquina andar para poder descer outra manilha. Aí, nisso ele voltou. No que ele voltou, que eu falei: ‘Não vai, meu filho’. Que ele tentou voltar, a vala fechou.”
A polícia também ouviu um engenheiro da Lotus responsável pela obra, que afirmou que contrataram a Antera para realizar o serviço da construção da rede de esgoto e que verificaram a legalidade da prestação do serviço.
“A gente contrata uma empresa especializada em redes externas, esgoto, águas pluviais para executar esse serviço que estava sendo realizado. É, o procedimento tava correto, normalmente a gente pega as documentações, máquina, documentação do colaborador, tudo certinho para que ele consiga trabalhar”, afirmou à polícia.
A Polícia Civil investiga o caso para apurar as eventuais responsabilidades.
Sindicato dos Trabalhadores na Indústria fará vistoria na obra
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Brasília (STICOMBE) informou que vai realizar vistorias na obra da construtora Lotus, na SQS 116, onde Genilson morreu.
De acordo com o presidente do sindicato, Raimundo Salvador, representantes da entidade estiveram no local do acidente, por volta das 7h desta quarta-feira (17/6), mas encontraram a obra fechada em razão do acidente. Segundo ele, as atividades foram suspensas e uma análise das condições de trabalho deverá ser realizada nos próximos dias.
“Vamos fazer visitas ao local para avaliar as condições de trabalho. Saber se está tudo dentro das normas e se o procedimento realizado na escavação foi o correto”, destacou.
Raimundo relatou que o sindicato havia visitado o canteiro de obras anteriormente. “Estivemos no local em fevereiro fazendo uma palestra e falamos justamente sobre segurança do trabalho”, afirmou.
Em nota, a empresa Lotus lamentou a morte de Genilson e afirmou que adota rigorosos protocolos de segurança.
“A Lotus adota rigorosos protocolos de segurança em todos os seus empreendimentos e mantém a contratação permanente de uma empresa especializada, responsável pela realização periódica de auditorias e inspeções técnicas para avaliar as condições de segurança das obras. […] Neste momento de dor e consternação, a prioridade absoluta da Lotus é prestar todo o acolhimento, respeito e assistência necessários aos familiares de Genilson, bem como oferecer suporte aos colaboradores e profissionais impactados por esta perda tão repentina”, finaliza a nota da empresa.
A Antera Construtora também emitiu nota lamentando o acidente e informou que presta assistência à família da vítima.
“Genilson prestou serviços à empresa por quase cinco anos e nunca apresentou qualquer conduta que o desabonasse em seu ambiente de trabalho. As circunstâncias do ocorrido serão apuradas pelos órgãos competentes”, informou a construtora.















