Na Mira

ONG que recusou receber cachorros recebeu R$ 3 milhões em emendas

O contrato assinado no dia 31 de dezembro de 2024, com vigência de seis meses, mostra que a organização recebeu dois repasses da CLDF

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução
cachorros
1 de 1 cachorros - Foto: Reprodução

O Instituto Omni, entidade responsável pela administração do abrigo de animais que teria se recusado a receber cachorros vítimas de maus-tratos resgatados, recebeu mais de R$ 3 milhões oriundos de emendas parlamentares.

Os valores do Termo de Fomento nº 04/2024 estão disponíveis no site da Secretaria de Meio Ambiente (Sema).

O contrato, assinado no dia 31 de dezembro de 2024 e com vigência de seis meses, mostra que a Organização da Sociedade Civil (OSC) recebeu dois repasses, o primeiro de R$ 2,5 milhões e outro, de R$ 600 mil.

O valor de R$ 2,5 milhões foi proveniente de emenda parlamentar do deputado distrital Daniel Donizet (MDB-DF). O segundo, de 600 mil, foi de recurso oriundo do gabinete de Ricardo Vale (PT-DF).

ONG que recusou receber cachorros recebeu R$ 3 milhões em emendas - destaque galeria
2 imagens
ONG que recusou receber cachorros recebeu R$ 3 milhões em emendas - imagem 2
Termo de fomento mostra que o Instituto OMNI recebeu R$ 3,1 milhões no primeiro semestre de 2025
1 de 2

Termo de fomento mostra que o Instituto OMNI recebeu R$ 3,1 milhões no primeiro semestre de 2025

Divulgação
ONG que recusou receber cachorros recebeu R$ 3 milhões em emendas - imagem 2
2 de 2

Reprodução

A entidade entrou como parceira no Projeto Castra-DF, que consiste nos serviços de castração e exames gratuitos de cães e gatos, tanto de rua quanto domiciliares, nas diferentes regiões administrativas do Distrito Federal, conforme Plano de Trabalho.

Na mira da PCDF

A Subsecretaria de Proteção Animal (Sepan), ligada à Sema, entrou na mira da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A secretária extraordinária de Proteção Animal, Edilene Dias Cerqueira, teria negado o pedido da Polícia Civil e, por isso, poderá ser indiciada por desobediência.

Os animais foram resgatados na tarde dessa terça-feira (1°/7), em Samambaia, durante uma operação da 26ª Delegacia de Polícia e com o apoio da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra os Animais (DRCA).

De acordo com a PCDF, os cachorros estavam abandonados, com sinais de fome e sem acesso a água ou alimentação adequada.

Durante a investigação, a equipe policial teve acesso a vídeos que registravam os animais praticando canibalismo entre si. Nas imagens, é possível ver três cadelas atacando e devorando o corpo de uma quarta cadela já sem vida.

Segundo vizinhos contaram à polícia, os cachorros faziam isso por causa da “prolongada privação alimentar”.

Moradores próximos também relataram que os cães haviam atacado e matado o cachorro de outro vizinho e só não o comeram porque o portão impedia que eles levassem o animal morto para dentro do terreno onde estavam.

Abrigo

Uma decisão judicial teria determinado que os animais resgatados na operação fossem encaminhados a abrigo público sob responsabilidade da Secretaria Extraordinária de Proteção Animal (Sepan-DF).

No entanto, segundo a PCDF, tanto a Secretaria quanto a presidente do Instituto Omni teriam se recusado a receber os animais. “Diante da recusa injustificada ao cumprimento de ordem judicial, as responsáveis poderão responder pelo crime de desobediência”, confirmou a PCDF.

O profissional que ficou responsável pelo acolhimento dos animais após a ação policial relatou que, apesar da agressividade momentaneamente observada — consequência do quadro extremo de fome —, os cães apresentam temperamento dócil quando em condições normais de saúde e nutrição. Eles estão na 26ª DP e aguardam adoção.

O homem que era tutor dos cães antes da operação foi preso.

Outro lado

Em nota, a Sepan-DF afirma que “não houve recusa por parte da secretaria quanto ao acolhimento de animais, mas sim uma impossibilidade técnica e estrutural. A Sepan-DF ainda não dispõe de espaço próprio e adequado para o recebimento de animais vítimas de maus-tratos”.

Segundo a pasta, “atualmente, o acolhimento temporário de animais está previsto dentro do escopo do Programa Castra DF, por meio de parceria com a organização da sociedade civil Omni”.

“O espaço gerido por essa entidade é destinado exclusivamente ao cuidado pós-operatório de animais de rua atendidos pelo programa, conforme estabelecido no Termo de Fomento vigente. Trata-se de uma estrutura com finalidades específicas, que não pode ser ampliada para além do previsto contratualmente”, afirmou.

A nota acrescenta que a Sepan-DF “não recebeu qualquer documento oficial oriundo da autoridade judiciária competente que determine providências quanto ao acolhimento dos referidos animais, o que impossibilita a adoção de medidas administrativas legais”.

“A Sepan-DF reitera seu compromisso com a proteção e o bem-estar animal, e segue atuando na estruturação de políticas públicas que permitam, no futuro, a criação de espaços adequados para o acolhimento de animais vítimas de maus-tratos, sempre com respaldo legal e orçamentário”, concluiu.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comDistrito Federal

Você quer ficar por dentro das notícias do Distrito Federal e receber notificações em tempo real?