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Médico é indiciado por homicídio culposo após morte de mulher em UPA
Caso ocorreu em fevereiro de 2024, quando paciente de 42 anos com suspeita de dengue morreu durante atendimento
atualizado
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Um médico foi indiciado por homicídio culposo pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), sob suspeita de negligência no atendimento que teria contribuído para a morte de uma paciente. O inquérito aponta que o servidor deixou a mulher cair de uma cadeira de rodas durante o deslocamento dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Brazlândia (DF).
Segundo a investigação, o episódio ocorreu enquanto a paciente era conduzida dentro da unidade, já em estado grave. Durante o deslocamento na rampa de acesso, ela caiu e sofreu um impacto na cabeça, passando a apresentar convulsões e, em seguida, ter uma parada cardiorrespiratória. Apesar das tentativas de reanimação, a paciente não resistiu e morreu pouco tempo depois.
A vítima foi identificada como Cíntia Maria Dourado Mendes, 42 anos. O caso ocorreu em fevereiro de 2024, quando ela procurou atendimento em duas ocasiões após apresentar sintomas compatíveis com dengue. O inquérito foi conduzido pela 18ª Delegacia de Polícia e agora segue para análise do Ministério Público do DF (MPDFT), que vai decidir sobre eventual denúncia à Justiça.
Relembre o caso
Em 2024, segundo o relato do marido da paciente, a sequência de atendimentos teria ocorrido da seguinte forma:
“No sábado [10/2] à noite, ela começou a apresentar inchaço, ânsia de vômito e desmaios, sintomas que fogem daqueles esperados em uma dengue leve. Na tenda, ela tomou soro na veia, fez exames de sangue, foi orientada a voltar para casa e, caso piorasse, deveria ir para a UPA”, detalhou Fabiano.
Em casa, Cíntia passou a apresentar dificuldade para respirar e dor no peito. Com o agravamento do quadro, na noite de domingo (11/2), ela pediu ao marido que a levasse para a UPA de Brazlândia.
Na triagem, segundo Fabiano, um servidor teria minimizado os sintomas, afirmando que seriam normais em casos de dengue e que melhorariam em cerca de 14 dias. Ele relata que a paciente chegou a desmaiar enquanto aguardava atendimento e foi levada para receber soro.
Após avaliação médica, a família teria sido liberada para voltar para casa com orientação de manter hidratação e observar os sintomas.
Horas depois, já na madrugada de segunda-feira (12/2), houve nova piora, e a família retornou à UPA. “Como ela não conseguia andar e estava bastante abatida, pedi que a equipe a buscasse dentro do carro. Eles foram pegá-la em uma cadeira de rodas, mas a deixaram cair e bater com a nuca no meio-fio enquanto subiam a rampa da UPA”, relatou Fabiano.
Em seguida, Cíntia foi encaminhada à área vermelha da unidade, sofreu parada cardiorrespiratória, foi reanimada e intubada, mas não resistiu.
O que apontou a investigação
Ao longo do inquérito, foram colhidos depoimentos de profissionais de saúde, testemunhas e familiares, além da análise de prontuários e documentos médicos. Segundo a PCDF, os elementos reunidos indicam possíveis falhas no atendimento, tanto na primeira avaliação — com subavaliação do quadro clínico — quanto na condução da paciente no retorno à unidade.
Diante desse conjunto, a autoridade policial entendeu haver indícios de conduta negligente, resultando no indiciamento do profissional envolvido. Não há decisão judicial de condenação.












