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Na Mira

"Mamãe Noel" vai a júri acusada de matar "Papai Noel" 5 dias antes do Natal

Conhecida por ações beneficentes, mulher de 54 anos responde por homicídio qualificado; defesa sustenta que ela agiu em legítima defesa

18/06/2026 17:16
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Reprodução/Redes sociais
Casal fantasiado de Mamãe Noel e Papai Noel

Uma mulher conhecida em Campo Alegre, no norte de Santa Catarina, por interpretar a personagem Mamãe Noel em eventos beneficentes está sendo julgada nesta quinta-feira (18/6) pelo assassinato do próprio marido, que costumava participar das mesmas ações vestido de Papai Noel. O caso, que comoveu a comunidade e ganhou grande repercussão na região, é analisado pelo Tribunal do Júri de São Bento do Sul.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Soeni Cardoso Borges, de 54 anos, matou o marido, Carlos Emir Meier, de 48, durante uma discussão ocorrida dentro da residência do casal, em dezembro de 2020, cinco dias antes do Natal. A acusação aponta que o desentendimento teria começado em razão de um vazamento em uma máquina de lavar roupas.

Segundo as investigações, durante a briga, a mulher atingiu o companheiro com uma facada no tórax. O golpe perfurou uma região próxima ao coração, provocando uma hemorragia interna que causou a morte da vítima.

Violência doméstica

A defesa de Soeni, porém, sustenta que o episódio ocorreu em um contexto de violência doméstica. Conforme a tese apresentada aos jurados, a acusada sofria agressões há anos e reagiu para se proteger durante mais um episódio de violência dentro de casa.

Um laudo pericial anexado ao processo constatou a presença de escoriações e hematomas no braço da mulher. De acordo com a defesa, os ferimentos teriam sido provocados por um puxão dado pelo marido instantes antes do golpe fatal.

Os advogados também apresentaram um boletim de ocorrência registrado em 2015, no qual já constavam relatos de supostas agressões praticadas por Carlos Emir Meier contra a esposa.

Casal conhecido

O casal era bastante conhecido em Campo Alegre por participar de programas sociais e eventos voltados para crianças durante o período natalino. A morte do homem e as circunstâncias do caso provocaram forte comoção entre os moradores e transformaram o processo em um dos mais comentados da região nos últimos anos.

Após o crime, Soeni se apresentou espontaneamente à polícia e passou a responder ao processo em liberdade. O Ministério Público pede a condenação por homicídio qualificado por motivo fútil. Já a defesa busca o reconhecimento da legítima defesa e a consequente absolvição da ré.

A decisão ficará a cargo dos jurados. Caso a tese da acusação prevaleça, Soeni poderá deixar o tribunal presa para iniciar o cumprimento da pena que será fixada pelo juiz. O julgamento deve colocar um ponto final em uma disputa judicial marcada por versões opostas sobre os acontecimentos daquela noite de dezembro de 2020.