Laudo aponta politraumatismo em morte de homem atingido por moto da PM
Adão de Almeida Silva, 56 anos, foi atropelado na EPNB, em 17 de maio deste ano. PCDF instaurou inquérito policial para apurar acidente

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga as circunstâncias de um acidente de trânsito que resultou na morte de Adão de Almeida Silva (foto em destaque), 56 anos, atropelado por uma motocicleta da Polícia Militar (PMDF). O atropelamento aconteceu na madrugada de 17 de maio, na Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB), na altura do Riacho Fundo (DF).
Adão foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF) e encaminhado em estado grave ao Hospital de Base. Porém, ele não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada de 18 de maio.
O laudo do Instituto de Medicina Legal (IML), disponibilizado na última quarta-feira (17/6), apontou que a morte de Adão ocorreu devido a politraumatismo por ação contundente.
A motocicleta oficial da PMDF era conduzida por um sargento da corporação. Em depoimento à Polícia Civil, o militar afirmou que seguia pela EPNB, no sentido Taguatinga, quando a vítima teria atravessado a pista repentinamente.
Conforme a versão apresentada pelo policial, Adão, identificado inicialmente como pessoa em situação de rua, teria parado na faixa exclusiva por onde trafegava a motocicleta.
O sargento declarou que tentou desviar, mas não conseguiu evitar a colisão. Ele também afirmou que prestou os primeiros socorros ao homem e que acionou o CBMDF.
Família contesta versão
A família, no entanto, nega que a vítima estivesse morando nas ruas. De acordo com os parentes, naquele dia, Adão tinha saído de casa para ir a um supermercado da região, quando foi atropelado no percurso.
A sobrinha de Adão, que preferiu não se identificar, afirma que a família passou horas procurando pelo homem após seu desaparecimento e só descobriu que ele havia sido atropelado ao procurar informações na delegacia.
Segundo ela, parentes percorreram os locais que o homem costumava frequentar após perderem contato com ele. “A gente foi nos lugares onde ele tinha o hábito de ficar, mas ninguém sabia dele. Quando completaram as 24 horas do desaparecimento, fomos à delegacia”, relatou.
No local, conforme a familiar, um agente consultou o sistema e informou apenas que Adão havia se envolvido em um acidente de trânsito. Sem mais detalhes, a família foi orientada a procurar informações junto ao Corpo de Bombeiros e, posteriormente, nos hospitais.
Ao chegarem ao Hospital de Base, os parentes descobriram que Adão estava internado. A sobrinha afirma que a família permaneceu por quase duas horas sem receber informações precisas sobre o estado de saúde dele.
“Chegamos por volta de duas horas da manhã do dia 18 de maio. Disseram apenas que ele estava lá e que o médico viria conversar com a gente. Só fomos informados da morte dele perto das quatro da manhã”, contou.
A familiar também questiona o atendimento prestado à vítima na unidade de saúde. “O sentimento que a gente tem é de revolta. Meu tio foi tratado como se não tivesse valor. Até hoje buscamos respostas sobre o que aconteceu”, afirmou.
A sobrinha também reclama da condução inicial do caso. Segundo ela, um mês após o atropelamento, a família ainda não havia recebido esclarecimentos sobre o andamento das investigações.
“É como se fosse um qualquer. Morreu, morreu. Para eles tanto faz. A gente só quer saber o que aconteceu e que o caso seja apurado”, disse.
O caso é investigado pela 29ª Delegacia de Polícia. De acordo com o delegado-chefe Johnson Kennedy, foi instaurado inquérito policial para apurar os fatos.
O que diz a PMDF
Em nota, a PMDF disse que acompanha as investigações conduzidas pela PCDF, mas que mantém uma investigação interna, por meio de Inquérito Policial Militar (IPM), na intenção de apurar as circunstâncias da ocorrência.
“O policial militar envolvido permanece em atividade operacional, conforme registros internos”, disse.



