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Itamaraty alerta sobre tráfico de pessoas para “trabalhar” na Ásia
Dois paulistas foram resgatados após passar meses em cárcere privado em Myanmar. Eles foram agredidos e trabalhavam até 15 horas por dia
atualizado
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O Ministério das Relações Exteriores publicou, nessa terça-feira (24/2), um alerta sobre o aumento de casos de tráfico de brasileiros para o Sudeste Asiático para exploração laboral. Segundo o Itamaraty, a região se consolidou como principal foco desse tipo de crime, o que tem gerado preocupação nas embaixadas brasileiras instaladas na Ásia. Dois paulistas viveram essa situação. Eles foram resgatados de Myanmar após passar meses em cárcere privado.
Jovens como “iscas”
As vítimas, a maioria jovens, viram “iscas” pelas redes sociais com falsas promessas de emprego em “call centers” ou supostas empresas de tecnologia em países como Camboja, Tailândia, Myanmar e Laos. As ofertas, direcionadas especificamente a brasileiros, prometem salários atrativos, comissões por metas e até passagens aéreas custeadas pelos recrutadores.
Ao chegarem ao exterior, no entanto, as vítimas são submetidas a jornadas exaustivas, ameaças e violência. Muitas são forçadas a aplicar golpes virtuais, como fraudes com criptomoedas, esquemas de apostas on-line e perfis falsos para extorsão. Em alguns casos, também são coagidas a atrair novos brasileiros para o esquema criminoso.
Mesmo quando conseguem deixar os complexos onde são mantidas, enfrentam dificuldades para retornar ao Brasil, especialmente se estiverem com o visto vencido — situação que exige autorização de saída das autoridades locais e pagamento de multas por permanência irregular.
O Itamaraty orienta que brasileiros não aceitem propostas de trabalho no Sudeste Asiático que prometam ganhos elevados, contratação imediata ou intermediação informal. Em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a pasta produziu uma cartilha sobre trabalho no exterior e um folheto específico para quem pretende viajar à região.
Brasileiros resgatados relatam cárcere e tortura
- Duas vítimas, Luckas “Kim” Viana, 31 anos, e Phelipe de Moura, 26, foram resgatados em Myanmar após meses em cárcere privado.
- Moradores de São Paulo, os dois foram atraídos por falsas ofertas de emprego e acabaram integrando, sob ameaça, um esquema global de crimes cibernéticos.
- Nos quatro meses em que estavam sequestrados, Luckas e Phelipe — sofreram agressões físicas e trabalharam até 15 horas por dia.
- Eles tentaram fugir ao menos duas vezes. A libertação ocorreu em 9 de fevereiro, quando escaparam com um grupo de 85 pessoas, de 50 nacionalidades.
- A operação contou com apoio da ONG The Exodus Road. No dia 19, os dois desembarcaram no Aeroporto Internacional de Guarulhos, onde reencontraram a família.
Como evitar cair no golpe
Em entrevista ao Metrópoles, as vítimas afirmaram que os aliciadores exploram o lado emocional e oferecem propostas que parecem “irrecusáveis”. Entre as orientações, estão:
- Exigir endereço completo e verificável da empresa;
- Solicitar fotos reais do local de trabalho;
- Realizar videochamadas com os supostos contratantes;
- Desconfiar de promessas de altos salários com contratação imediata.
Como denunciar
No Brasil, denúncias de tráfico de pessoas podem ser feitas pelo Disque 100 ou pelo Ligue 180. Também é possível acionar a Coordenação-Geral de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes, do Ministério da Justiça.
O Ministério das Relações Exteriores informa ainda que o Portal Consular reúne alertas e orientações sobre ofertas suspeitas de trabalho no exterior.
