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Na Mira

Idosa que duvidou de carta vai à PCDF após ser xingada de ladra por médium.

Vítima e seus familiares foram acusados por Maira Rocha durante uma transmissão ao vivo em uma rede social. PCDF apura caso como calúnia

02/09/2026 04:15, atualizado 02/09/2026 07:52
Metrópoles
Idosa que duvidou de carta vai à PCDF após ser xingada de ladra por médium

Uma idosa procurou a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) após a médium Maira Rocha fazer denúncias falsas contra ela e sua família durante uma transmissão ao vivo, veiculada em uma rede social, nessa segunda-feira (31/08). 

Veja o momento em que Maira ofende a vítima e sua família: 

As ofensas ocorreram após Maira ser citada em uma longa reportagem do Metrópoles que investigou o serviço de psicografia oferecido por ela. Uma parte do texto traz uma denúncia de uma vítima e a médium, por sua vez, suspeitou ter sido da idosa e passou a atacar ela e seus familiares.

Maira afirmou que a mulher e suas irmãs teriam roubado a Casa de Caridade Inácio Daniel, localizada em Águas Claras (DF), a qual a médium chefia. No momento da fala, cerca de 100 pessoas acompanhavam a live. 

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O Boletim de Ocorrência foi registrado como calúnia e será apurado pela 4ª Delegacia de Polícia (Guará).

MPDFT instaurou notícia de fato para apurar conduta da médium

O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) recebeu, por meio da ouvidoria, denúncias contra Maira Rocha, médium que comanda a Casa de Caridade Inácio Daniel, localizada em Águas Claras, no Distrito Federal. Ela é acusada — por dezenas de vítimas — de forjar cartas psicografadas de pessoas falecidas. 

O órgão instaurou uma notícia de fato e a Promotoria de Justiça Criminal vai analisar os casos. A informação foi confirmada pelo MPDFT ao Metrópoles nessa segunda-feira (31/08).

“O MPDFT recebeu manifestação com informações sobre supostos crimes atribuídos a Maíra Alexandrina (nome de Maira Rocha). A partir do relato, foi instaurada uma Notícia de Fato, atualmente em análise por uma Promotoria de Justiça Criminal.”, informou o órgão.

Entenda caso

Maira é fundadora da Casa da Caridade Inácio Daniel, erguida na Área de Desenvolvimento Social (ADE) de Águas Claras, região administrativa da capital da República, distante 20 quilômetros da Esplanada dos Ministérios.

Ao longo das últimas três semanas, uma investigação jornalística conduzida pela equipe do Metrópoles revelou as entranhas de um doloroso esquema de ilusão, vulnerabilidade emocional e abuso de poder que atinge famílias no DF e em vários estados do país. As tão especiais cartas psicografadas seriam forjadas e produzidas com base em pesquisas realizadas em fontes abertas, Boletins de Ocorrência e, principalmente, redes sociais.

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A equipe de reportagem conversou com dezenas de mulheres e homens que procuraram a famosa médium Maira Rocha, figura de destaque nas redes sociais, onde é acompanhada por uma comunidade de 759 mil seguidores no Instagram.

Os relatos são chocantes: há desde trechos copiados de forma escancarada de perfis até textos totalmente desconexos, como a citação do espírito de alguém que ainda não havia morrido.

Maira ainda chegou a inventar nomes e narrar fatos que nunca existiram.

Em uma ocasião, chegou a dizer que o espírito de um garoto tinha mandado um recado de que a poupança de R$ 300 mil que os pais haviam feito para ele deveria ser toda doada ao centro de Maira.

“Desconfiem quando qualquer pessoa, site, ou instituição oferece qualquer atendimento com algum tipo de pagamento, curtida, publicidade, ou mesmo doação, pois os médiuns espíritas devem seguir a orientação de Jesus em dar de graça o que de graça receberam”, alertou a FEDF.

Todas as pessoas ouvidas nesta matéria foram unânimes em relatar o constante medo de sofrer graves represálias. A atmosfera de terror psicológico se sustenta em um padrão bem definido: Maira Rocha não admite que seus métodos sejam postos em dúvida, tampouco tolera questionamentos sobre o teor das mensagens que psicografa em suas sessões públicas.

A credibilidade do suposto dom mediúnico ruiu à medida que os próprios frequentadores começaram a notar um padrão estarrecedor no material recebido. Os bilhetes ditos transcendentais traziam trechos copiados ipsis litteris de postagens feitas meses ou anos antes no Facebook e no Instagram.

Os mínimos detalhes — a cor de uma peça de vestuário, o uso de um acessório específico, o resgate de uma frase cotidiana, a menção a uma fotografia antiga ou a transcrição exata de um comentário na rede — apareciam nas cartas com fidelidade cirúrgica. No entanto, longe de demonstrar uma onisciência espiritual, os textos revelaram-se retalhos grosseiros, verdadeiras coletâneas de dados extraídos da vida digital dos enlutados.

A Maira foi procurada pelo Metrópoles para se pronunciar e dar seu lado dos fatos, mas não respondeu aos questionamentos da reportagem até a última atualização deste texto. O espaço será atualizado tão logo haja algum posicionamento oficial.