Ex-prefeito condenado por estupro das filhas responde processo em liberdade
Ex-prefeito José Pereira Soares, 66 anos, foi condenado a 53 anos de prisão por estupro de vulnerável; Justiça concedeu medidas cautelares
08/10/2026 10:09

O ex-prefeito de Águas Lindas de Goiás José Pereira Soares (imagem em destaque), de 66 anos, foi condenado a 53 anos, 1 mês e 12 dias de prisão por estupro de vulnerável contra suas duas filhas, na época menores de idade. Apesar da condenação, ele foi colocado em liberdade mediante medidas cautelares. A decisão foi proferida em maio deste ano, mas veio a público somente nessa quarta-feira (7/10). A última movimentação administrativa no processo ocorreu em 28 de setembro.
A defesa do ex-prefeito informou à coluna nesta quinta-feira (8/10) que os recursos cabíveis estão sendo apresentados ao Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO).
José Pereira foi preso em maio, após se entregar à polícia. A prisão preventiva havia sido decretada em 17 de setembro de 2024, durante as investigações sobre os abusos.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), os crimes ocorreram entre 2016 e 2024. De acordo com a 8ª Promotoria de Justiça de Águas Lindas de Goiás, o ex-prefeito abusou sexualmente das duas filhas durante esse período.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO réu permaneceu preso durante parte do processo, mas posteriormente foi colocado em liberdade mediante medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a disponibilização de botão de pânico para as vítimas. Também foi proibido de manter contato ou se aproximar delas, de familiares e de testemunhas.

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Ver todas“Eu vou matar todo mundo”
A ex-companheira de José Pereira denunciou o caso em abril de 2025. Segundo o relato apresentado às autoridades, ela também teria sido ameaçada pelo ex-prefeito por telefone.
Durante a ligação, conforme consta na denúncia, ele teria dito: “Antes da polícia colocar a mão em mim, eu vou matar todo mundo, inclusive, o seu filho será o primeiro a morrer”. “Não vai sobrar ninguém vivo, vou matar todo mundo”, acrescentou.
Na época, a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) informou que o, então, investigado deveria permanecer preso preventivamente.
“Ele praticava os crimes quando estava sozinho com as vítimas. Uma delas tem 18 anos hoje e começou quando era criança. No mínimo, duas meninas vítimas”, explicou a delegada responsável pelo caso, Tamires Teixeira.
Condenação
Ao condenar José Pereira, o Juizado de Violência Doméstica destacou a importância dos depoimentos especiais prestados pelas vítimas, considerados coerentes e consistentes, além dos laudos psicológicos anexados ao processo, que apontaram a ocorrência dos abusos.
A sentença considerou que os crimes foram praticados de forma continuada contra cada uma das vítimas. A pena foi agravada em razão da culpabilidade, das circunstâncias e das consequências dos crimes.
Além da pena de prisão, a Justiça determinou o pagamento de indenização mínima de R$ 20 mil para cada vítima por danos morais, atendendo a pedido do Ministério Público.
Medidas cautelares
Embora tenha concedido ao réu o direito de recorrer em liberdade, a Justiça manteve diversas medidas cautelares. Entre elas estão:
- Comparecimento trimestral ao juízo para informar e justificar suas atividades e endereço;
- Proibição de mudar de endereço sem autorização e comunicação prévia à Justiça;
- Proibição de deixar a comarca onde reside sem autorização judicial;
- Proibição de se aproximar das vítimas, familiares e testemunhas a menos de 300 metros;
- Proibição de manter contato com as vítimas, familiares e testemunhas, inclusive por redes sociais;
- Proibição de se envolver em novas práticas criminosas;
- Proibição de portar armas ou substâncias entorpecentes;
- Monitoramento eletrônico por 180 dias.
A decisão também determinou a manutenção ou o fornecimento de botão de pânico às vítimas.




